Crentes sem Bíblia

O analfabetismo crônico que assola os crentes é coisa de impressionar quem escreveu o livro de Hebreus. Os crentes de mais tempo de conversão devem lembrar-se daquele negócio que se chamava Escola Bíblica Dominial. Naquele tempo íamos para a igreja de manhã, com a Bíblia e uma revista. Cada semestre um tema. Estudava de tudo, desde os profetas até história do cristianismo.
O tempo foi passando, a modernidade chegando, os crentes enricando, ficando sócios de clubes, ou curtindo o sábado até de madrugada e por ai fomos. Com isso, acordar cedo e ir à EBF era e é um sufoco. As classes foram diminuindo, definhando, até que alguém inventou os grupos familiares. Pronto, era o fim da EBD.
Os grupos familiares não suprem a EBD. Eles foram inventados para converter novos crentes. É apenas um instrumento a mais para inchar as igrejas centrais com crentes advindos dos bairros. Pastorada feliz da vida. Igreja cheia. Dízimo gordo.
Ensino que é bom, nadinha. Pede para o crente abrir a Bíblia em Jeremias e lá está ele perto de 1 Timóteo. Está certo que são dois nomes de homens e os dois estão na Bíblia, mas que a gente fica com vergonha de dizer para o sujeito que Jeremias está lá do outro lado, isso a gente fica.
Outro diz que o verso que mais gosta é aquele que Jesus disse: “Me ajuda, que eu te ajudo”. Nessa altura, sorrimos e fazemos de conta que Jesus disse isso mesmo. Faz parte da vida!
A culpa é total e absoluta dos pastores. São ocupados com tantas coisas que não gastam tempo estudando a Bíblia. Sermões rasos, paliativos, em cima do muro, panos quentes, água com açúcar, auto-ajuda.
Por isso, o crente que já foi tonto, mas agora não é mais, fica pulando de templo em templo tentando achar alguma comida mais solida. Acha?

Antonio Carlos Barro

Comentários no Facebook