Missões já era ou ainda tem espaço?

Estou participando da Conferência de Missões da Igreja Evangélica Reformada em Carambeí, Paraná. Enquanto esperava pelo início do culto estava pensando nos tempos idos de quando as conferências missionárias começaram a pipocar em nossas igrejas.
Era uma febre. Chovia convites para falar aqui, ali e tantos outros lugares. Jovens animados, pastores envolvidos. Orava por missões, enviava missionários, levantavam ofertas especiais. Mas, o tempo foi passando, pastores deixaram as igrejas, comitês de missões foram minguando, o tema ficou cansativo para uns poucos levarem adiante.
A realidade é que hoje esse não é mais um tema que apaixona as igrejas locais. Falar de missões confunde com missão; evangelismo versus obra social continua sendo uma discussão inútil e sem sentido. Toda a esperança que se colocava no Brasil como o celeiro das missões mundiais está escoando pelo ralo. O que fazer?
Compartilhe com os leitores do blog o que a sua igreja está fazendo nessa área. Quais são as sugestões para que o tema não saia de cena totalmente?

Antonio Carlos Barro

VOTE EM TIRIRICA: PIOR DO QUE TÁ NÃO FICA

Vendo a propaganda eleitoral na TV deparei-me com a candidatura a deputado federal de Tiririca com o lema acima: “vote em Tiririca: pior do que tá não fica”. Na verdade, muitos humoristas e pessoas de vários meios artisticos se candidataram.

Comecei a pensar por que tanta gente esdrúxula e artistas que não têm nada a ver com política ou como o próprio Tiririca afirma que não sabe de nada se candidataram. A resposta está que essas pessoas perceberam que o eleitor brasileiro não é sério. Esses candidatos descobriram que qualquer pessoa pode se eleger. Ora, se o Genuíno, o Collor, Severino e seus pares são eleitos por que eles não seriam? Qualquer pessoa pode se eleger. Basta ter algumas bolsas famílias ou alguma coisa para distribuir como bolsa. Partindo daí – não importa absolutamente quem está na candidatura, seu passado, o que fala; mas o que importa é apenas o que ela pode oferecer a mim ou à minha família.

A prova está nesse governo que ameaça a democracia, os valores da vida (o aborto), os valores da família (homossexualismo) e um dos mais corruptos governos que já houve nesta nação e mesmo assim está acima nas pesquisas. Embora que não se deve confiar nos centros de pesquisas que são comprados e corrompidos.

Portanto, talvez a candidatura mais coerente seja a do Tiririca e outros do humor porque o Brasil não é um país sério.

Ah se pelo menos a Dilma soubesse contar piada!

Francisco Mário Lima Magalhães
Graduado em Teologia, Letras, graduando em Filosofia; Mestre em Teologia Exegética e em educação. Pastor da Igreja Batista em Balsas-MA

Vídeo da Comunidade Nova Aliança e as eleições 2010

Assista o vídeo A Igreja e as eleições 2010, de uma palavra ministrada pelo pastor Davi de Sousa na Igreja Nova Aliança de Londrina, durante a III Conferência de Homens, em 5 de setembro de 2010.

Trata da posição da Igreja em relação a leis que ferem a liberdade do Corpo de Cristo no Brasil e também sobre as eleições 2010.

Clique aqui para ver o Vídeo.

Carta Pastoral dos Bispos sobre Eleições 2010

“Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, Diz o Senhor, e os que contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o povo.” Jeremias 23,32

Vivemos mais um período eleitoral em nosso país. Há mais de duas décadas o povo brasileiro tem tido a possibilidade de eleger seus representantes. Com avanços consagrados na Constituição de 1988 e ao longo dos anos desde então, outras formas de participação popular se desenvolveram no monitoramento da atuação dos representantes e governantes, na decisão direta sobre temas polêmicos (através de plebiscitos ou referendos), e na concepção e implementação de políticas públicas (através de várias formas de consulta, fóruns e conselhos).
As igrejas cristãs brasileiras tiveram uma contribuição importante neste processo, mesmo quando tal contribuição não se estendeu à maioria de seus membros. Através de seus meios institucionais de expressão da voz da igreja, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil tem sido parte integrante destas iniciativas, permanentemente. Somos uma Igreja presente e atuante, que apesar de ser uma pequena parcela do Corpo de Cristo em nosso país, tem tido o privilégio de contar com irmãos e irmãs, bispos, clérigos e leigos, comprometidos, conscientes e atuantes na busca da justiça, da paz e do amor que encarnam os principais valores do Reino de Deus.
Este ano, elegeremos pessoas nos níveis federal e estadual, tanto na esfera executiva como legislativa. É hora de fazermos um balanço da atuação e das realizações dos que foram eleitos no último pleito. É hora de projetarmos nossas aspirações para o presente e o futuro e identificarmos responsavelmente aquelas forças políticas e pessoas que têm a credibilidade, a capacidade e o compromisso para viabilizar essas aspirações. O aperfeiçoamento democrático para o qual a Igreja tanto tem contribuído acaba de consagrar o instituto da idoneidade para os candidatos, através da chamada Ficha Limpa. Apesar de todas as conquistas das últimas décadas de vigência democrática, ainda há muito o que fazer para aproximar o que o país pode oferecer ao conjunto de seus cidadãos e cidadãs e o que de fato está a seu alcance, em termos de direitos, reconhecimento, bens e serviços. Não há democracia sólida sem justiça e liberdade para todos. Não há liberdade política autêntica sem palpáveis mudanças que permitam vida digna para todos. As eleições, sabidamente, não proporcionam respostas imediatas para essas questões, mas permitem duas coisas muito importantes: o debate público de temas, problemas e interesses que expresse a pluralidade de posições e mesmo os conflitos que marcam toda sociedade humana; e a escolha de projetos e pessoas cujas propostas e perfil se ajustem às aspirações da maioria.
Ainda é muito forte em nosso país uma atitude que privilegia o debate e as escolhas ligadas ao poder executivo. As candidaturas presidenciais e para os governos estaduais tomam quase todo o tempo de discussão, e as legislativas são apresentadas mais em função do apoio dado aos candidatos ao executivo do que em termos das plataformas de atuação dos representantes no legislativo. Nossa Igreja gostaria de insistir com seus membros, neste pleito, que dêem a devida atenção aos dois processos: nossas escolhas para o executivo darão a direção geral que queremos para nosso país e nossos estados, mas são as escolhas para o legislativo que darão conteúdo e meios de viabilização dos projetos apresentados pelos candidatos à Presidência e ao Governo dos Estados. Lembremos que o poder legislativo é a instância originária das leis que devem ser cumpridas pelos agentes públicos. É preciso que usemos de sabedoria, responsabilidade e agudo senso de justiça e verdade para não perdermos a oportunidade de elegermos representantes que estejam à altura de nossos valores e desejos. Que recusemos as vantagens fáceis, os presentes, os apertos de mão sorridentes de pessoas que após eleitas já demonstraram que não cumprem seus compromissos. Apliquemos em nossas escolhas o critério da Ficha Limpa e evitemos reconduzir políticos que não foram sérios na gestão da coisa pública. Que saibamos discernir entre os novos candidatos e candidatas, aquelas pessoas que de fato possuem experiências de serviço à população, especialmente aos muitos pobres, marginalizados e vítimas de preconceito e discriminação.
As eleições de 2010 são muito importantes como avaliação de um governo que serviu dois mandatos, no nível federal, dos governos estaduais que ora se encerram, mas também para avaliar a performance de nossos legisladores e legisladoras. Não percamos essa oportunidade que nossa matriz republicana nos oferece de selarmos nossa liberdade política com escolhas sérias e bem informadas. Leiamos, acompanhemos os debates, discutamos em nossas paróquias e missões, convidemos candidatos para debater conosco, de diferentes partidos e posições, sem pre-concepções. E decidamos de forma livre e responsável: o destino de milhões está ali, na ponta dos nossos dedos, na urna eletrônica. O voto é o único instrumento inalienável que temos para construir uma sociedade política madura e voltada para o bem comum.

Brasília, 16 de Setembro de 2010.

Dom Mauricio José Araujo de Andrade, Primaz, Brasília, DF
Dom Jubal Pereira Neves, Santa Maria, RS
Dom Orlando Santos de Oliveira, Porto Alegre, RS
Dom Naudal Alves Gomes, Curitiba, PR
Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, Recife, PE
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Rio de Janeiro, RJ
Dom Saulo Mauricio de Barros, Belém, PA
Dom Renato da Cruz Raatz, Pelotas, RS
Dom Roger Douglas Bird, São Paulo, SP
Dom Clóvis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Almir dos Santos, Emérito
Dom Glauco Soares de Lima, Emérito
Dom Celso Franco de Oliveira, Emérito

Revdo Cônego Francisco de Assis da Silva
Secretário Geral da IEAB

Educação compartilhada: professor e estudante

Falar sobre “vida” nos causa uma ebulição de sentimentos; hoje vimos no seminário um filme que se chama “Escritores da Liberdade”. Que filme fantástico! Ele retrata o processo em que se deu uma verdadeira revolução na perspectiva de alguns jovens que faziam parte de um contexto muito violento. Uma jovem professora resolveu sugerir aos seus alunos que escrevessem num diário as histórias de suas próprias vidas. Resolveu ouvi-los e pode entender que a educação se faz num processo construtivo e deve nascer a partir da realidade de cada um. Podemos ver que no processo da educação todos crescem juntos “professores e alunos” e isso se faz a partir do diálogo. O professor deve ser um facilitador num processo interativo. Fazendo um paralelo com a igreja brasileira, que isso fique de lição para que tenhamos uma educação cristã saudável e libertadora. No filme identificamos a importância de se respeitar o que cada um traz consigo. Ao final do filme quando as luzes se acenderam toda a classe estava com olhos umedecidos pelas lágrimas, como já foi dito, um filme fantástico que fala sobre a vida, e como disse o nosso professor “falar sobre a vida emociona”.

Clique aqui para ver cenas do filme

Guilherme La Serra

INSTRUÇÕES GERAIS PARA ESCREVER TRABALHOS

Meu amigo e mentor, Chuck Van Engen, tem essas boas e úteis observações para quem vai escrever um trabalho, artigo ou mesmo um sermão. São passos que podem ajudar na coerência daquilo que se pesquisa e escreve. Bom proveito. AC

COMECE COM ORAÇÃO

1. Examine a(s) sua(s) questão(ões) no seu próprio contexto, e escolha a sua loci (frase) teológica onde você crê que pode desenvolver suas reflexões em relação à(s) sua(s) questão(ões).

2. Afunile a sua loci/frase teológica ao tema teológico (a idéia integradora), o tanto quanto você possa afunilar. Ao redor desta frase a sua reflexão será circundada.

3. Faça a sua reflexão teológica em termos da sua inteira estrutura dada em classe em relação a teologizar em missão. Pense especialmente na inter-relação do texto bíblico, comunidade da fé e contexto específico enquanto eles interagem com o resto do processo em teologizando em missão.

ESTRUTURE O SEU TRABALHO COMO SEGUE:

a. Introdução. Explique o contexto no qual a sua reflexão acontece, e como ele influencia o surgimento do tema teológico que você escolheu.

b. Dê uma análise detalhada dos significados e/ou como o tema pode tomar forma ou é dada expressão no seu contexto.

c. Desenvolva algumas das perspectivas bíblicas, textos, narrativas, episódios que forneçam uma visão bíblica do tema em relação ao “b” acima.

d. Traga as questões contextuais e a reflexão bíblica para sustentar a maneira como a sua comunidade da fé tem refletido sobre este tema teológico através dos séculos e hoje.

e. Coloque as suas observações dentro de alguma das categorias missiológicas.

f. Conclusão: Extraia brevemente duas ou três direções missionais e possíveis ações missionais que devem naturalmente fluir das reflexões que você realizou.

5. Permita-se que nos próximos anos você venha a se juntar aos discípulos de Jesus Cristo em sua comunidade da fé em pensar e repensar o que acabou de fazer.

CONTINUE COM ORAÇÃO

Dr Charles E. Van Engen
Fuller Theological Seminary

O Brasil continua igual para os iguais

“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”, é a celebre frase de George Orwell . Nunca esta frase foi tão válida quanto nos dias de hoje na sociedade brasileira. O Brasil de hoje pode se orgulhar de estar em posição de destaque no cenário econômico mundial. Nunca as classes media-alta e alta consumiram tanto quanto se consome agora. Este é o Brasil que dá certo, o Brasil que é um conto de fadas para a maioria da sua população. A titulo de ilustração mencionaremos a grandeza do Brasil:

• Quinto mercado consumidor do planeta.
• Primeiro produtor e exportador de suco de laranja, café e açúcar.
• Primeiro criador de gado do mundo.
• Segundo receptor de investimentos estrangeiros entre os países em desenvolvimento.
• Segundo produtor e exportador de soja.
• Segundo consumidor de jatos comerciais e helicópteros, analgésicos, telefones celulares e aparelhos de fax.
• Terceiro consumidor de motocicletas e refrigerantes.
• Quarto fabricante de aviões comerciais.
• Quarto consumidor de geladeiras e freezers.
• Quinto consumidor de CDs de música.
• Quinto produtor de leite.
• Sétimo em número de veículos em circulação.
• Sétimo exportador de calçados.
• Oitavo em cartões de crédito.

Este é o Brasil que vai bem. O Brasil de uma elite que consome muito. As revistas de circulação nacional (Veja, IstoÉ e Época) não cansam de mostrar esta face do Brasil. Reportagens noticiam a avidez da classe alta pelos artigos de luxo oferecidos nas mais caras boutiques de São Paulo e outras capitais. “Em seminário organizado pela Câmara Americana de Comércio [Abril/2003], quando foi apresentada uma pesquisa sobre o consumo no topo da pirâmide social brasileira, o Brasil foi caracterizado como o segundo mercado de produtos de luxo que mais cresce no mundo”. Este Brasil não conhece a palavra crise.
É interessante de notar que é justamente neste Brasil que a igreja evangélica brasileira está de olho como mercado não somente no que se refere a rol de membros, mas também e principalmente como mercado econômico. O mundo gospel é também hoje uma sociedade de consumo. Recentemente a Revista IstoÉ Dinheiro trouxe uma matéria de capa com o sugestivo título: A indústria de Jesus. A reportagem afirma que os evangélicos totalizam 26 milhões de pessoas espalhadas por todas as classes sociais. Estes evangélicos são “consumidores ávidos por produtos com a grife ‘Jesus’, eles movimentam uma fatia estimada em R$ 3 bilhões por ano…”. A matéria cujo título é O Legado de Deus traz estas palavras de Eduardo Calissi, da EBF Eventos: “As Igrejas foram as primeiras a enxergar o seu rebanho como um mercado consumidor. Agora é a vez dos empreendedores arriscarem seu capital”, e termina com este parágrafo: “Arriscar, na verdade, é uma força de expressão. A experiência demonstra que o lucro neste segmento é líquido e certo. Amém!”.

Antonio Carlos Barro