Leitura neutra da Bíblia?

Um tempo atrás um “teólogo” disse que a única forma de ler a Bíblia corretamente é através dos olhos da teologia reformada. Ou seja, a teologia reformada são os óculos corretos para ler as Escrituras.
Esse é o erro mais infantil que os grupos evangélicos (não importa qual) incorre. Cada um lê a Bíblia à sua maneira e acha que aquela maneira é o padrão para não somente entender a Bíblia, mas para julgar e colocar de lado o que lêem com outros óculos.
Não existe NENHUMA leitura da Bíblia que seja neutra. Toda leitura é condicionada à cosmovisão do leitor. Se nós nos lembrássemos disso todas as vezes que estamos lendo as Escrituras ou julgando os outros usando o nosso entendimento, já seria um grande avanço.

Antonio Carlos Barro

Nem tudo está perdido

Quando estou andando aqui pela periferia da cidade e me encontro com vários tipos de jovens, dentre eles, alcoólatras, drogados, prostitutos (as), assaltantes, boca sujas, desobedientes dos pais, aventureiros, festeiros, etc. Qundo começo a conversar com eles, o final da conversa, na maioria das vezes é sempre o mesmo, todos tem sentimentos parecidos, que precisam ir a uma igreja para endireitar o caminho, é isso mesmo! A esperança deles é encontrar um lugar onde tenham o sentimento de dever cumprido, para com Deus, família e a sociedade.
Lembrei-me da passagem de Jesus, em Lucas 10.2: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”.
Então, façamos alguma coisa para alcançar estas almas famintas, antes que a morte os encontre, porque ela (a morte) está batendo às portas todos os dias.
E está é a missão obrigatória da igreja e não opção, mostrar o caminho àqueles que são ovelhas sem pastor, não podemos fugir disso, precisamos de ATITUDE.

Jr. Santos Rosa

Tô Lendo

Estou lendo Na Liberdade da Solidão de Thomas Merton, da Editora Vozes. Lendo ao mesmo tempo Mochila nas Costas e Diário na Mão de Elben M. Lenz César onde é narrada a vida do pioneiro presbiteriano Ashbel Green Simonton. Comprei hoje e comecei a ler suas primeiras páginas Feitio de Viver: memórias de descendentes de escravos de Gizêlda Melo do Nascimento, Editora Eduel (UEL Londrina).
Antonio Carlos Barro

PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL

ELEIÇÕES 2010

A Aliança de Batistas do Brasil vem por meio deste documento reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.

Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as idéias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.

1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade. Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil. Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?

2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniqüidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?). Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós. Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniqüidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniqüidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!

3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade. Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.

4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica. Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden). Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.

5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da reforma agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria. Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”. Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.

Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes, que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

Maceió, 10 de setembro de 2010.

Pastora Odja Barros Santos – Presidente

Veja o Video do Pr Paschoal Piragine

SEMI O QUE, TEO O QUE? SE-MI-NA-RIS-TA, TE-O-LO-GI-A!

Geralmente todo jovem que é apresentado pelos pais a algum amigo ou conhecido de longa data, além de ter de sorrir muito, é levado obrigatoriamente a responder coisas do tipo: “nossa como você cresceu, sabia que eu já te peguei no colo?”. Veja que da minha parte isso não é uma crítica, afinal é algo muito natural, especialmente pela falta de assunto recorrente da pouca intimidade. Só que não para por ai, quando isso acontece comigo eu já me preparo para responder a segunda bendita e obrigatória pergunta: “O que anda fazendo da vida?”. Essa segunda indagação já se torna mais abrangente, ela não se destina somente aos jovens. Seja num bate-papo na fila do supermercado, seja regando o jardim enfrente a sua casa, em qualquer circunstância ou onde estiver, vão te perguntar, “o que você faz da vida?” ou ainda, “com o que você trabalha?” ou mais, “onde você estuda?”. Particularmente quando sou acometido por algumas destas perguntas eu geralmente respiro fundo, estufo o peito e levantando a cabeça com muito orgulho respondo em auto e bom som, “sou estudante de te-o-lo-gi-a”. Diante dessa minha resposta as três principais reações que acontecem com maior incidência são: primeiro, a pessoa regala os olhos, e balançando a cabeça positivamente diz, “hum”. Essas pessoas pertencem ao grupo que não sabendo o que significa teologia fingem que sabem e encerram a conversa por ali mesmo. Segundo, a pessoa franze a testa enquanto libera um sorriso amarelo e simplesmente diz, “que legal”. Essas pessoas pertencem ao grupo mais capitalista, são aqueles que não se conformam com a hipótese de que num mundo como o nosso alguém possa se quer pensar em não se dedicar a algum curso que lhe renda um bom lucro. Terceiro, a pessoa baixa a cabeça lentamente esboçando um olhar compassivo e diz, “você vai ser padre?”. Essas pessoas pertencem ao grupo que de tanto presenciarem os “pastores” que estão por ai nas mídias, desconhecem se quer a existência de seminários sérios destinados a teologia protestante.

Mas o que me conforta e anima, são aqueles que dizem com um largo e sincero sorriso nos lábios “o mundo precisa mesmo de pessoas sérias e muito bem preparadas para servir no reino de Deus, trazendo dignidade e amor ao próximo, parabéns”.

Gui la Serra
www.guilaserra.blogspot.com

Ser seminaristA

Há alguns dias comemoramos o Dia do Seminarista e um grupo, representando uma sociedade interna da denominação a que pertenço, foi ao Seminário prestar uma homenagem a nós, seminaristas, quer dizer, a eles.
Enquanto entrávamos no refeitório, alguém disse: escrevam seus nomes nestes papeizinhos, porque depois queremos abençoá-los com um sorteio… Ei, você não! Você não precisa, moça (olhando pra mim, como se eu fosse um ser estranho)… Ah… você é seminarista? (espanto) Você?! Estuda teologia?! Aqui?! Ah, então… põe seu nome também.
Ser seminarista e mulher pode ser muito especial, como pode ser estranho e até um pouco desapontador. A questão não é se estou preparada para o seminário, mas – é preciso entender que, às vezes – o seminário pode não estar preparado pra mim.
O machismo é um assunto é recorrente em todas as áreas sociais. Estamos passando (em alguns casos de forma traumática) para um ponto em que não há papéis definidos de acordo com o sexo, muito menos lugares e posições em que ambos não possam ocupar. É inevitável não pensar nisso.
A Igreja não está preparada pra lidar com essa questão: mulheres de opinião, força e que vivem neste século. Mas, o que é melhor do que preparar suas mulheres para seu tempo e para transpor as barreiras que se formam agora? Mulheres preparadas irão responder muito melhor às perguntas que estão sendo feitas, às necessidades que a nossa época tem. Não seremos tão irrelevantes.
Neste momento me recuso a fazer apologia ao pastorado feminino. Pessoalmente, me importa estudar, não me preocupando com títulos. Enquanto não me impedirem de estar em sala ou em bibliotecas, aprendendo com meus colegas, estarei satisfeita. Até porque, respeito a denominação a qual pertenço e não pretendo causar-lhe desconforto, se for fiel às Escrituras.
Por isso, não há o que temer. Concordamos que as pessoas precisam de preparo adequado para exercer as suas funções com excelência. Isso inclui as mulheres, certo? Não vamos querer pessoas, independentemente do sexo, despreparadas no campo missionário, nas escolas de teologia e/ou até na literatura teológica brasileira.
As reações revoltosas das mulheres vêm com os ataques de repressão, principalmente em nossa época. Mulheres também podem ser – e são – inteligentes, criativas, sábias e vir para somar (e não substituir) no reino de Deus. Então vamos crescer juntos e pensar a nossa época de forma mais relevante, sem perder tempo se atracando, combinado?!

SeminaristA.

O que é a luta do bem contra o mal?

É interessante notar que a história parece, sempre, se repetir. Mudam-se os atores sociais, os espaços geográficos a amplitude dos acontecimentos, mas questões básicas não mudam.
Vejamos um exemplo. Nos primeiros séculos da chamada “Era Cristã” – lembrando que só tem esse nome por conta do domínio imperial que a igreja (sim com i minúsculo) teve durante praticamente toda a Idade Média – diversas heresias foram combatidas pela, então, igreja cristã da época.
Dentre essas heresias uma em especial me chama a atenção: o Maniqueismo. De forma simplória, tal heresia, vê o mundo regido por duas forças supremas o bem, ou deus e o mal, ou o diabo. Além, obviamente de haver um conflito entre essas suas potências em que no meio do conflito está a posse do ser humano.
Obviamente que se redigirmos o parágrafo anterior, sem mencionar que se trata do maniqueísmo, alguns ditos cristãos hoje estariam de pleno acordo. Afinal, temos visto proliferar nas chamadas igrejas cristãs, uma compreensão de que há uma eterna luta entre o bem e o mal, entre deus e o diabo. Batalhas espirituais estão sendo travadas nesse exato momento em que escrevo essa pequena digressão.
Vemos, então, uma heresia condenada há tempos atrás travestida de novas roupagens, novas formas de se expressar e, o que é lamentável, plenamente aceita pelos chamados líderes cristãos como plausível.
Infelizmente, teóricos como Agostinho de Hipona não são mais lidos nem conhecidos no meio eclesial. Compreender que o mal não tem estatuto ontológico é demais. Afinal, não se precisa pensar, somente ter fé. Fé em que? Vai saber! Dizem ser em deus, mas um deus que está em pé de igualdade com a potestade maligna é, no mínimo, chacota.
Um deus que necessita de auxílio do próprio humano para dominar as forças do mal soa como piada. Mas, vale lembrar que não é só o maniqueísmo que está sendo revigorado. A necessidade de dominar as forças da natureza aplacando a ira dos deuses é mais antiga que o cristianismo. Ah! Sim, o cristianismo não precisa aplacar a ira de deus, afinal ela foi aplacada pelo sacrifício desse mesmo deus ao ser crucificado. Lendo engano, temos que aplacar com orações, súplicas e confissões. Com uma vida reta seguindo os preceitos desse deus.
Mas que estranho, vamos a todas as atividades da igreja, colocamo-nos de joelhos e fazemos nossas orações, súplicas e confissões, contudo ao sair posso agir como se o outro fosse das forças inimigas, pelo simples fato de pensar diferente de mim. Exigimos que a Constituição nos garanta a liberdade religiosa, e massacramos a religiosidade do outro como pura manifestação do mal, do diabo. Enfim, vivemos num mundo esquizofrênico maniqueísta e nas batalhas temos que garantir que o mal retroceda e as forças do bem vençam, afinal esse é o objetivo da missio dei.
Mas não ligue para essas palavras, afinal foram escritas por um ateu convicto e que, por isso, está bandeado para o lado do inimigo.

Vicente E. R. Marçal
Filósofo, formado pela UEL com Mestrado pela FFC-UNESP – Marília-SP.
Professor da Universidade Federal de Rondônia.

Anjo Massagista

Se alguém pensa que as besteiras gospel são restritas ao “mundo evangélico” vai se decepcionar. No movimento carismático católico, tipo nova canção, a coisa também é feia. Outro dia a pregadora disse no seu programa de rádio: “Eu vou pedir a Jesus que mande o seu anjo massagear aqueles que estão com dores na batata da perna.”
Massagear a batata da perna?
Fiquei pensando como é dura essa vida de anjo. Será que para ser anjo precisa agora fazer curso de fisioterapia, ou massagem Shiatsu, comprar uns óleos aromáticos e que tais?

No altar do sacrifício

Estava no trânsito. Sintonizei na Rádio Gospel da Universal. Confesso que não estava nos meus melhores dias. Uma insanidade havia se instalado na minha mente.
Primeiro ouvi um testemunho. Até bonito, confesso. O moço estava na pior, falido, desacreditado pelos amigos e familiares e ainda por cima com Síndrome do Pânico. Mas… eis que o milagre aconteceu. O moço foi na Universal e sacrificou-se no Altar do Sacrifício (alguém me ilumina sobre o que é isso). Passou a freqüentar todos os dias. Sua vida melhorou. Pagou as dívidas. Comprou bens, ganhou respeito da família. Comprou uma locadora. Está feliz agora.
Fiquei em dúvida se ele encontrou Jesus. Tudo o que falou foi que a Universal o salvou.
Depois vem a palavra de um dos bodes-guias (Zc 10.3). Ele disse alguma coisa como tendo o seu divino protetor ao lado dele e inclusive olhava para ele. Fiquei em saber quem era esse divino protetor (confesso que estou alheio ao vocabulário moderno da Universal). Instigou a todos que não faltassem na igreja domingo para o segundo passo. O milagre vai acontecer.
Nada de Jesus. Nadinha mesmo.
Nada contra quem vai na Universal. Deve ter crente por lá e sinceros. Deus os tenha. Mas tenho a mais absoluta certeza de que quando Jesus disse: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mateus 25:41), ele tinha esses líderes da Universal em mente.
Isso não é evangelho. É outra coisa. E se é outra coisa, você já sabe o que é. Certo?

Antonio Carlos Barro

Pastores mandam 70 milhões de reais

A coluna Holofote da Revista VEJA (edição 2181) traz uma notinha pequena, bestinha e que quase passa batida. Luiz Antonio Galebe é dono do Shop Tour que detem 19 retransmissoras de TV e uma geradora. Pois bem, o mesmo colocou para vender seu negócio. Quase fechou concretizou a venda. Pasmem vocês que os compradores eram pastores evangélicos e que ofereceram a bagatela de 70 milhões de reais! Gelebe recusou a oferta, pois quer 100 milhões. Seria interessante saber quem são esses pastores e de onde eles tiram tanto dinheiro!