Falência de e-mails

Todos os dias quando abro o meu e-mail tem pelo menos uns 30 que eu não quero e tenho raiva de receber.

Manualmente vou apagando todos para ver o que sobra para ler. Sobram uns quatro ou cinco. Acho que você deve ter a mesma experiência todos os dias.

Chris Guillebeau no seu livro The Art of Non-Conformity sugere decretar falência de e-mails e começar tudo do zero. Arquive todos os seus emails numa pasta especial caso venha a precisar de um deles. Abra um novo e-mail e não dê para muita gente e não use para compras online ou qualquer outra coisa que não seja pessoal.

Abra um e-mail para lixos, para dar para empresas que certamente vão vender seu e-mail mesmo.

E-mails são fontes de enorme stress nos dias de hoje. Cuide-se!

Ps. Caso você tenha feito, registre essa experiência abaixo.

Políticos e pastores

Os políticos estão sempre de plantão para numa virada de mesa, num zaz-traz, aderirem a qualquer movimento de massa sem a menor preocupação ou pudor a respeito do que está sendo reivindicado, pois desejam apenas e tão somente livrar seus mandatos.

Semelhantemente, muitos profetas evangélicos surgem nessas horas. Gente que não está nem ai para a situação do povo e da miserabilidade que toma conta do Brasil, mas que aproveitam a oportunidade para se alinhar com os anseios das ruas. Escrevem bonito, palavras ensaiadas e bem adornadas ao gosto de leitores baba-ovos. O preço da batata na feira não se altera um centavo por causa dessas adesões.

Todo povo tem o governo e os pastores que merecem. Os brasileiros tem esse governo e os evangélicos tem esses pastores.

A igreja e o contexto

O ministério pastoral é cheio de muitos desafios.

De onde surgem os desafios?

Alguém pode pensar que os desafios surgem da direção da igreja que se reune e pensa alguma coisa para ser feita por todos os membros. Ou pode-se pensar que os desafios surgem na cabeça do pastor que “bola” um ministério aqui, outro ali. Muitas vezes o pastor percebe que a igreja não está ativa, ou não responde ás pregações, então pensa que se fizer alguma coisa qualquer o povo ficará animado.

Esse tipo de motivação ministerial tem vida curta. Não demora muito e o povo já está desanimado outra vez reclamando de tudo e especialmente do pastor.

Uma solução para esse dilema é o pastor juntamente com o seu povo olhar em volta da igreja e para a realidade que está a sua volta. Como é o bairro? Qual a sua maior necessidade?

Como fazer isso? Bem isso pode ser feito através de pesquisa, através de andar pelo bairro, fazer perguntas para os moradores, informar-se com as organizações do bairro. Enfim, conhecer o ambiante onde a igreja está localizada.

Depois a igreja se reune e faz a seguinte pergunta: como podemos ministrar a esse povo à luz da palavra de Deus?

Quando a igreja ministra e vê transformações nas vidas e no ambiente ao redor da igreja, ela fica animada. Quer continuar fazendo aquilo, pois sabe que pessoas estão sendo abençoadas.

Igreja fora do contexto é cansado e enfado.

acbarro

Compententes x Incompetentes

Eu e milhares de pastores temos o mesmo tempo ou mais que o Edir Macedo de ministério.

Pergunte por ai quantos desses pastores tem 1% dos bens desse “bispo”?

Ou somos todos incompetentes, o que é uma possibilidade.

Ou o Edir Macedo é super competente.

O certo é que o grande consolo está nessas palavras do Cristo:

Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!

Aqueles que abandonam a carreira cristã

2Timóteo 4.9-22

Por que alguém em sã consciência quer ser um ministro da palavra? Estamos falando  daquelas pessoas que abnegadamente abraçam ao ministério, não considerando o custo de tal empreitada. Que mistério é esse que leva um jovem ou uma jovem a deixar uma faculdade, uma carreira promissora no mundo dos negócios para se dedicar exclusivamente ao pastorado, a vida missionária?

O Apóstolo Paulo, no final da sua carreira cristã, após uma intensa e apaixonada vida dedicada a Jesus Cristo, escreve a Timóteo, seu dileto filho na fé, e detalha a ele uma lista de pessoas que estiveram próximas do seu ministério. Nesta lista verificaremos três tipos de obreiros cristãos:

Aqueles que abandonam a carreira cristã

Demas, nome grego, “abandonou e amou o presente mundo”. Não sabemos a razão deste abandono, tendo em vista que Demas era um dos colaboradores mais íntimos de Paulo. Quando Paulo escreveu a carta aos Colossenses (4.14), anos antes desta carta a Timóteo, da mesma cidade de Roma, Demas e Lucas estavam com ele. Agora ele diz: “Demas me abandonou”. Houve alguma discordância entre eles? Ficou ele cansado de estar associado a um homem que atraia muitas perseguições e calunias? Sabemos apenas que ele abandonou a igreja. “Amou o presente mundo”. Isto não significa necessariamente que ele tenha abandonado a fé cristã, mas sim que ao considerar as vantagens de estar servindo a Cristo ao lado de Paulo e as vantagens oferecidas pelo mundo, preferiu ele a segunda. Para Calvino, ele “… preferiu a sua conveniência particular, sua segurança, tendo deixado a Paulo entregue à sua sorte”.

A atitude de Paulo, nesta situação, creio que pode ser expressa numa frase contemporânea: “Tudo bem, vamos em frente”. Esta atitude pode ser vista em duas expressões: “Lucas está comigo”. Alguns abandonam, outros permanecem firmes. A outra fala é esta designada a Marcos: “… é muito útil para o ministério”. O exército de Deus pode sofrer algumas baixas, mas sempre haverá pastores e obreiros que não dobram os seus joelhos aos deuses deste mundo.

Nos dias de hoje, são também muitos os que abandonam o barco. Decepcionaram-se com Cristo, com a igreja, com a liderança, com a denominação, com o salário, com as injustiças cometidas contra ele. O que fazer? Avancemos, pois ainda há muito que realizar em prol do reino de Deus.

Aqueles que atrapalham a carreira cristã

Alexandre “me fez muitos males” – “causou-me muitos males”. Paulo menciona outro Alexandre em 1Tm 1.20, dizendo que esta pessoa naufragou na fé e blasfemou. Este homem promovia as dissensões na igreja e Paulo o entregou a Satanás. Este outro fazia oposição a Paulo e contrariava os seus ensinamentos. Para Paulo, não existia nada mais grave do que ver alguém se opondo à mensagem de Cristo. Ele mesmo poderia suportar todas as coisas contra a sua pessoa, mas não tolerava ataques ao evangelho. A atitude de Paulo nesta situação é corajosa, pois identifica o faltoso chamando-o pelo nome. Vigia e toma cuidado com o que aquela pessoa está disseminando. Finalmente, vemos que ele descansa em Deus, pois ele conhece a todos e retribuirá a cada um segundo as suas obras (lei da semeadura). Paulo evoca o Salmo 62.13 “A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um segundo a sua obra”.

Nos dias de hoje, também são muitos os que atrapalham a obra de Deus. Devemos enfrentar a estes com caridade e realismo. Com caridade: Deus irá julgar as suas obras, não compete a nós fazer isto. Com realidade: A perseguição ao Cristianismo nunca é abstrata, mas sempre personalizada. Infelizmente temos no meio da igreja líderes abusivos. Pessoas que se utilizam amizade e colegas para galgar posições de liderança e que descartam os outros assim que os seus objetivos são alcançados.

Aqueles que realizam a carreira cristã

Neste capítulo, Paulo menciona 18 pessoas. Duas delas causaram grandes males ao evangelho, todavia outras estão firmes. Marcos é útil ao ministério. Trófimo está inclusive doente em Mileto. Crescente, Tíquico e Tito estão viajando em missões.

Atitude e mensagem de Paulo aos que permanecem firmes, aos que enfrentam a ministério com bravura e não consideram suas vidas mais preciosas do que a vida de Jesus Cristo. Ele afirma a mensagem da presença constante de Deus que nos assistirá em todos os momentos, revestindo e fortalecendo para o para o cumprimento da missão. E mais ainda, Deus nos protegerá da boca do leão. Provérbio que era usado para denotar extremo perigo e finalmente Deus nos conduzirá ao seu lar celestial.

Nos dias de hoje, precisamos recobrar este significado e motivação para a nossa carreira cristã, caso contrário, também nos veremos em tentações de desistir da igreja e da sua missão. São tantas as lutas, as noites de insônia, os choros escondidos por causa das perseguições e injustiças. Todavia, antes de nós outros passaram pelos mesmos sofrimentos e não desistiram do ministério.

Ao final da vida, Paulo orienta a Timóteo e a todos os que militam na obra de Deus a que mantenham o foco bem ajustado: Preguem a palavra para que haja salvação e que Deus receba a glória para todo o sempre.

Conclusão

Desde que a igreja foi fundada na terra nós temos basicamente estes três grupos: os que começam e abandonam; os que permanecem e infernizam a vida dos outros e os que permanecem e trabalham pela causa de Cristo.

Resumindo, nós temos os tomadores e os doadores. Alguns querem apenas usufruir daquilo que a igreja oferece e não retribuem em quase nada. Assim, a igreja continua dependendo destes poucos que são comprometidos e que esperam com confiança no Senhor. Quem colocou as mãos no arado não pode mais olhar para trás.

Antonio Carlos Barro
www.ftsa.edu.br

Coisas do cristianismo antigo e moderno

Espiritualidade sem o Espírito
Biblistas sem a Bíblia
Amor sem as boas obras
Boas obras sem a fé
Fiéis sem igreja
Igrejas sem o evangelho
Pregadores sem graça
Graça sem perdão
União sem unidade
Comunhão sem solidariedade
Missão sem conversão
Conversão sem razão
Cristo sem discípulos
Deus sem seguidores
Santidade sem piedade
Palavras sem conceito
Exorcismo sem diabo
Futuro sem presente
Cruz sem sacrifício
Ressurreição sem porvir
Esperança sem luta

ACBarro

A igreja precisa achar o mundo

Uma coisa muito, mas muito difícil de ser entendida e digerida pelos líderes mais velhos de nossas igrejas é a mudança de paradigma de crescimento de igreja para crescimento do reino.

Muitos desses velhos e bons pastores tocam seus ministérios debaixo do conceito da manutenção do rebanho, orando para que haja umas três conversões ao ano. Um sermão razoavelmente preparado, visitas domiciliares, alguns aconselhamentos no gabinete pastoral, ajudar na solução de algumas crises como divórcios e problemas entre pais e filhos. Nisso se resume o pastorado.

Esses colegas não pensam a igreja fora das quatro paredes. Os programas são internos e voltados para o publico da própria igreja. Vez por outra alguma coisinha onde os “fora” são convidados. Um culto especial de aniversario, uma apresentação do coral no final de ano. Mas nada que de fato impacte o não-membro da paróquia.

Assim os dias transcorrem. Normais.

Se o colega que me lê (assim espero) fizesse algo mais intencional acho que ajudaria. Pense em duas realidades: a realidade da sua igreja, com seus membros, talentos, recursos e potenciais. A realidade de seu bairro ou cidade com suas necessidades. Faça uma perguntinha: Como a minha igreja pode ser mais efetiva no sentido de preencher essas necessidades?

Só isso. O que você precisa agora? Conduzir sua comunidade a entender que ela é a comunidade do Rei e do reino. Ensine sua igreja a ser o povo de Deus para sua cidade/bairro. Não faça isso somente pensando em crescer sua igreja. Faça isso para revelar a bondade de Deus ao mundo. Ao fazer isso, o mundo mudará de opinião a respeito da igreja e do próprio Deus.

É possível? Tente pelo menos uma vez fazer isso.

Antonio Carlos Barro

Pobres e desorientados pastores

Os ricos e “orientados” pastores são poucos e formam a elite do pastorado brasileiro. Esses são os caras ganhando acima de 10 mil reais por mês (para uns poucos o céu é o limite – foi me dito que tem pastor ganhando entre 50 a 100 mil/mês). Esses “escolhidos” são aos olhos da crentaida em geral, os ungidos, os que fazem a coisa acontecer. Estamos sempre ouvindo sobre eles. “Pegou a igreja com 134 membros e agora tem 5.000”. “Começou com um grupo em sua casa e agora tem 8.430 membros”.

Mas isso para mim não é o problema maior. A grande questão é a cultura que está sendo formada ao redor dessa situação. Essa elite é uma pequena e ínfima minoria, mas é uma minoria que tem acesso a mídia. Uma minoria que domina os nossos congressos e conferencias. Escreve livros e principalmente uns blogs bonitos. Essa minoria vai criando uma cultura eclesiástica que não reflete o evangelho de Cristo.

Os outros, que são pobres e na maioria desorientados ficam sonhando com o dia em que alguém falará dele a mesma coisa: pegou a igreja com 25 e agora tem 1000. A cada dia que passa ele fica pensando em como fazer melhor, em como tornar a sua igreja a igreja da vez na sua cidade. Fica olhando para os bancos vazios e decretando que um dia eles estarão cheios.

Essa nova cultura faz os pobres e desorientados pastores pensarem somente naquilo: crescimento de igreja. Tentam de tudo um pouco: células, louvor extravagante, auto-ajuda, roupas modernas, berçário em ordem, data show nos cultos, etc. Nada acontece. Nossos pobres e desorientados pastores precisam de outro referencial. Devem-se livrar o quanto antes do referencial da elite. Esses pastores da alta nobreza não atingem quase ninguém da massa brasileira. Tem lá uns 5000 crentes em suas igrejas que não sabem nem o caminho da roça. Vivem em seus bairros, mas freqüentam a sede, a central, a primeira. Passam pela miséria de seus bairros e não olham. São invisíveis aos olhos da comunidade.

Assim sendo, você que tem a sua igrejinha no seu bairro, deixe de besteiras e de sonhar com o impossível e torne a sua comunidade o sal e a luz do seu bairro. Vinte, trinta ou quarenta pessoas compromissadas com o Reino valem mais do que milhares de alienados.

Voltarei a falar do tema.

ACBarro

Pregação e pregadores. Pregação e ouvintes

Faz parte da tradição eclesiástica que num determinado momento do culto ou missa, alguém se dirige a um lugar especial chamado púlpito para proferir uma prédica. Pressupõe-se que o comunicador fez o seu dever de casa, ou seja, gastou algumas horas pesquisando e estudando o tema da pregação.

Munido com seu esboço, o mesmo ao subir naquela plataforma pensa que os ouvintes estão interessados no que ele vai falar. Ledo engano. Poucas pessoas sentadas no banco da igreja estão interessadas na mensagem. A maioria está pensando em outra coisa. Pode ser qualquer coisa:

– Que horas termina isso?

– Amanhã tenho que pagar aquela conta atrasada.

– Tenho que agendar uma consulta para o Zezinho.

– O carro precisa de revisão.

– Está na hora de trocar a geladeira.

Os assuntos pululam na cabeça do crente, enquanto o sermão já vai ai pelo terceiro ponto. À saída é comum ouvir: belo sermão, pastor ou, gostei da mensagem. O pastor fica contente. Esse é um rito de passagem. O crente finge que entendeu tudo e o pastor se alegra com os falsos elogios.

Essa dissintonia entre pregadores e ouvintes é um desafio para a igreja moderna. Como envolver os ouvintes na mensagem? Como tornar a mensagem significativa para o jovem? Como tirar o crente de sua passividade? Como fazer com que o pregador seja mais humano e menos divino quando assumir o púlpito?

Coisas para a gente meditar e conversar. A teologia do púlpito deve(ria) ser a teologia do banco da igreja.

Antonio Carlos Barro