A igreja precisa achar o mundo

Uma coisa muito, mas muito difícil de ser entendida e digerida pelos líderes mais velhos de nossas igrejas é a mudança de paradigma de crescimento de igreja para crescimento do reino.

Muitos desses velhos e bons pastores tocam seus ministérios debaixo do conceito da manutenção do rebanho, orando para que haja umas três conversões ao ano. Um sermão razoavelmente preparado, visitas domiciliares, alguns aconselhamentos no gabinete pastoral, ajudar na solução de algumas crises como divórcios e problemas entre pais e filhos. Nisso se resume o pastorado.

Esses colegas não pensam a igreja fora das quatro paredes. Os programas são internos e voltados para o publico da própria igreja. Vez por outra alguma coisinha onde os “fora” são convidados. Um culto especial de aniversario, uma apresentação do coral no final de ano. Mas nada que de fato impacte o não-membro da paróquia.

Assim os dias transcorrem. Normais.

Se o colega que me lê (assim espero) fizesse algo mais intencional acho que ajudaria. Pense em duas realidades: a realidade da sua igreja, com seus membros, talentos, recursos e potenciais. A realidade de seu bairro ou cidade com suas necessidades. Faça uma perguntinha: Como a minha igreja pode ser mais efetiva no sentido de preencher essas necessidades?

Só isso. O que você precisa agora? Conduzir sua comunidade a entender que ela é a comunidade do Rei e do reino. Ensine sua igreja a ser o povo de Deus para sua cidade/bairro. Não faça isso somente pensando em crescer sua igreja. Faça isso para revelar a bondade de Deus ao mundo. Ao fazer isso, o mundo mudará de opinião a respeito da igreja e do próprio Deus.

É possível? Tente pelo menos uma vez fazer isso.

Antonio Carlos Barro

Pobres e desorientados pastores

Os ricos e “orientados” pastores são poucos e formam a elite do pastorado brasileiro. Esses são os caras ganhando acima de 10 mil reais por mês (para uns poucos o céu é o limite – foi me dito que tem pastor ganhando entre 50 a 100 mil/mês). Esses “escolhidos” são aos olhos da crentaida em geral, os ungidos, os que fazem a coisa acontecer. Estamos sempre ouvindo sobre eles. “Pegou a igreja com 134 membros e agora tem 5.000”. “Começou com um grupo em sua casa e agora tem 8.430 membros”.

Mas isso para mim não é o problema maior. A grande questão é a cultura que está sendo formada ao redor dessa situação. Essa elite é uma pequena e ínfima minoria, mas é uma minoria que tem acesso a mídia. Uma minoria que domina os nossos congressos e conferencias. Escreve livros e principalmente uns blogs bonitos. Essa minoria vai criando uma cultura eclesiástica que não reflete o evangelho de Cristo.

Os outros, que são pobres e na maioria desorientados ficam sonhando com o dia em que alguém falará dele a mesma coisa: pegou a igreja com 25 e agora tem 1000. A cada dia que passa ele fica pensando em como fazer melhor, em como tornar a sua igreja a igreja da vez na sua cidade. Fica olhando para os bancos vazios e decretando que um dia eles estarão cheios.

Essa nova cultura faz os pobres e desorientados pastores pensarem somente naquilo: crescimento de igreja. Tentam de tudo um pouco: células, louvor extravagante, auto-ajuda, roupas modernas, berçário em ordem, data show nos cultos, etc. Nada acontece. Nossos pobres e desorientados pastores precisam de outro referencial. Devem-se livrar o quanto antes do referencial da elite. Esses pastores da alta nobreza não atingem quase ninguém da massa brasileira. Tem lá uns 5000 crentes em suas igrejas que não sabem nem o caminho da roça. Vivem em seus bairros, mas freqüentam a sede, a central, a primeira. Passam pela miséria de seus bairros e não olham. São invisíveis aos olhos da comunidade.

Assim sendo, você que tem a sua igrejinha no seu bairro, deixe de besteiras e de sonhar com o impossível e torne a sua comunidade o sal e a luz do seu bairro. Vinte, trinta ou quarenta pessoas compromissadas com o Reino valem mais do que milhares de alienados.

Voltarei a falar do tema.

ACBarro

Pregação e pregadores. Pregação e ouvintes

Faz parte da tradição eclesiástica que num determinado momento do culto ou missa, alguém se dirige a um lugar especial chamado púlpito para proferir uma prédica. Pressupõe-se que o comunicador fez o seu dever de casa, ou seja, gastou algumas horas pesquisando e estudando o tema da pregação.

Munido com seu esboço, o mesmo ao subir naquela plataforma pensa que os ouvintes estão interessados no que ele vai falar. Ledo engano. Poucas pessoas sentadas no banco da igreja estão interessadas na mensagem. A maioria está pensando em outra coisa. Pode ser qualquer coisa:

– Que horas termina isso?

– Amanhã tenho que pagar aquela conta atrasada.

– Tenho que agendar uma consulta para o Zezinho.

– O carro precisa de revisão.

– Está na hora de trocar a geladeira.

Os assuntos pululam na cabeça do crente, enquanto o sermão já vai ai pelo terceiro ponto. À saída é comum ouvir: belo sermão, pastor ou, gostei da mensagem. O pastor fica contente. Esse é um rito de passagem. O crente finge que entendeu tudo e o pastor se alegra com os falsos elogios.

Essa dissintonia entre pregadores e ouvintes é um desafio para a igreja moderna. Como envolver os ouvintes na mensagem? Como tornar a mensagem significativa para o jovem? Como tirar o crente de sua passividade? Como fazer com que o pregador seja mais humano e menos divino quando assumir o púlpito?

Coisas para a gente meditar e conversar. A teologia do púlpito deve(ria) ser a teologia do banco da igreja.

Antonio Carlos Barro

A igreja triunfante

Como estamos em relação à caminhada da igreja?

Os temas que a igreja discute nos últimos tempos são sem sombras de dúvidas bem modernos e isso dá a impressão que tudo está muito bem e muito bom.

Creio, todavia, que o básico está sendo deixado de lado: a missão da igreja. O fundamental na caminhada cristã é refletir se estamos fazendo o Cristo nos mandou fazer. Em João 20.21 Jesus disse: assim como o Pai me enviou, eu vos envio. Da mesma maneira, do mesmo modo, do mesmo jeito. Tal como Jesus veio ao mundo, ele envia a igreja ao mundo.

Pergunte o quanto isso é verdade hoje.

A igreja na sua missão reflete Jesus? Tomemos como exemplo (sem entrar nos detalhes) a sua conversa com a mulher samaritana. Os discípulos preocupados com a barriga vão comprar alimento. Enquanto isso, Jesus gasta tempo mostrando àquela senhora que ele é o Messias prometido e como tal ele lhe oferece a salvação e o retorno aos propósitos originais do Criador. Por isso, ao oferecimento dos discípulos para que coma um petisco, ele disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra (João 4:34). Era isso justamente o que ele estava fazendo ao dialogar com a mulher.

Hoje, semelhantemente, quando a igreja dialoga com os mais diversos setores da sociedade e com os mais diversos tipos de gente com as mais diversas orientações, ela deve ter em mente esse encontro de Jesus com a mulher samaritana: Oferecer a esperança da salvação e mostrar que em Deus está a restauração da dignidade perdida com o pecado.

ACB

Sem palavras

Como gostaria de escrever algo que fosse útil e inspirador, todavia, não tenho nada para dizer nesse momento, senão que:

A igreja continua firme.

Um grupo alienado, outro aloprado. Um grupo negando, outro decretando. Um grupo falindo, outro prosperando.

Estamos no fim da história. A razão tem sido constantemente ofendida. Ser testemunha de Cristo não faz mais sentido. Testemunhar o que?

Até aos confins da terra soa vazio. O que é isso? Onde é esse lugar?

Séculos de uma construção teológica jogados no lixo.

Onde encontrar a esperança?

Por amor a Cristo queria ser pastor

Outro dia recebi um e-mail de um seminarista.
Como sofrem esses poucos “condenados” que ainda desejam o pastorado. Já escrevi sobre esse tema várias vezes e confesso que todas as vezes que me deparo com situações envolvendo seminaristas e ordenação pastoral eu fico irritado.
Depois de 28 anos envolvido com educação teológica a coisa somente tem piorado. Tem decrescido o número de jovens que aspiram ao pastorado ou missões. Tem recrudescido a paranóia dos defensores do verdadeiro evangelho e da pureza da sã doutrina impedindo que jovens que estudam em seminários que não sejam da denominação venham a ser ordenados.
O jovem me escreve que diz que a sua denominação não vai mais ordenar que faz outro seminário. Antes já não ordenava quem fazia seminário interdenominacional como a FTSA. Agora a amada igreja não ordena nem quem faz seminário denominacional.
O sujeito (seminarista) tem que ser treinado nos arraiais da sua igreja. Ele tem que aprender a verdadeira doutrina, aprender a orar como os santos de sua igreja, pregar como os grandes oradores do passado, jamais esquecer a gloriosa história da igreja e por ai vai. A única coisa que o cara não aprende é como plantar uma igreja, evangelizar e fazer missões. Mas essas coisas são tão sem importância, não é mesmo?
O orgulho denominacional ainda liquida com as denominações históricas. Será que os cardeais da igreja não percebem que ninguém está querendo acabar com o evangelho de Jesus e muito menos destruir a igreja? Será que eles não poderiam conceber a idéia de que outros cristãos também amam a Jesus e são comprometidos com a causa de Cristo?
Isso me lembra a história que está lá no Novo Testamento. O sujeito vai à igreja orar e vê ao seu lado um miserável de outra denominação também decidiu orar. Que tremenda chateação! Então ele ora:
“Senhor, graças te dou porque não nasci numa igreja pentecostal. Louvo-te imensamente porque sou fiel à verdadeira doutrina, nasci em lar evangélica de mais de quatro gerações. Obrigado Senhor, e, por favor, não permita que a minha amada igreja se corrompa envolvendo-se com esses crentes de terceira categoria. Amem”.
Se você é seminarista e está passando por provações, não se desespere, Deus há de suprir suas necessidades e saiba que Ele, e não os grandes homens da Terra, é o Senhor da História.
Se você é um desses instrumentos que está impedindo esses moços no seguimento do pastorado, prepare-se porque um dia você terá que explicar ao Cordeiro de Deus porque você fez isso. Pensando bem talvez nem tenha que explicar.

ACB

A universalização das igrejas brasileiras

Muitas vezes eu abro a tela em branco do computador com o desejo de escrever algo interessante ou pelo menos que seja significativo para alguns.
Confesso que minha mente está tão branca como a tela. Vazia. Penso de um lado, penso do outro. Nada.
Recordo de algo que gostaria de mencionar.
Outro dia comentava com um amigo sobre os rumos da igreja brasileira. Ao meu modo de ver com o surgimento dos três hermanos (universal, mundial e internacional). Alias, ainda tem espaço para quem quer fundar a Global, a Planetária, a Geral, a Total (fica a sugestão para quem está sem igreja e desempregado).
Voltando ao meu ponto. Depois do advento de los tres hermanos a igreja brasileira nunca mais será a mesma. Foi uma mudança de paradigma. Não creio que é possível reverter esse quadro. O modelo desses hermanos ficará impregnado na memória dos crentes. Por isso, já vemos esse modelo sendo usado nas igrejas pentecostais mais antigas e nas igrejas históricas. Tudo é usado com algum cosmético para disfarçar do modelo original, mas não adianta. Esse processo de universalização-mundialização-internacionalização das igrejas está apenas no começo. Vai piorar ainda mais.
Tadinha das igrejas que não aderirem a esse processo.
Antes elas ainda tinham alguma chance porque dificilmente um crente sairia delas para freqüentar uma universal da vida. Agora, não precisa mais ir à universal. Outra igreja daquela denominação tem o que a universal oferece. Assim sendo, a pessoa não está abandonando a denominação, mas apenas transferindo de igreja local.
Sei lá…
Pense ai e veja o que você pode tirar de tudo isso.

AC

Pregador da palavra de Deus

Ser um pregador da palavra de Deus ou mesmo um instrutor bíblico, professor de Escola Dominical, vai exigir mais dessas pessoas do que um simples abrir a Bíblia e falar um monte de blá blá blá baseado na experiência ou no achometro do arauto.
Os temas impostos pela sociedade moderna são bem mais complexos do que aqueles de uns anos atrás. No passado a questão era se o crente fumava ou não fumava, bebia ou não bebia, via ou não via televisão. Essas questões nos dias de hoje parecem brincadeiras de crianças.
Os temas da atualidade são aborto, eutanásia, casamento entre pessoas do mesmo sexo, homossexualismo, ordenação de gays para pastores, violência contra a mulher e crianças, injustiça social, legalização da maconha, e outros tantos.
O pastor do alto da sua sabedoria não pode dizer: “sou contra”. Isso a gente já sabe. O que as pessoas estão querendo é justamente o porquê se é contra. Quais os argumentos. Quais os fundamentos sociológicos, econômicos, científicos, religiosos, bíblicos, filosóficos e outros que norteiam a tomada de posição. Pastores que não estudam podem pedir ajuda ou então vão falar besteiras e muitas.
Outra coisa que pastor gosta de pregar é sobre a depressão. Não entende nada sobre o assunto. Não sabe como alguém fica deprimido e não sabe que tipo de tratamento a pessoa precisa. Mas o homem coloca tudo num balaio só e diz que é coisa espiritual, quando não possessão demoníaca. Pastores que não entendem desse assunto deveriam ser proibidos de pregar sobre a depressão. Seria um imenso favor a milhares de pessoas que sofrem dessa doença.
Tem mais coisas, mas escrevo depois.
ACB

Igreja é mais do que reunir e cantar

A comunidade do Rei e do reino tem como característica marcante o seu papel de agente de reconciliação. A palavra reconciliação, na igreja, é geralmente usada para conversão. Todavia, o termo vai além da reconciliação com Deus para também incluir a nossa reconciliação com os outros.
Você tem em sua comunidade pessoas que estão com a comunhão rompida? Grupos em discórdia com outros grupos? Líderes que não conversam e não se relacionam com o pastor? Bem, se a sua igreja é como qualquer outra deve ter um monte de problemas na área de relacionamentos. É provável que na sua comunidade as coisas sejam também com na maioria das igrejas, ou seja, vistas grossas como se nada estivesse acontecendo.
Isso seria beleza se não fosse por um pequeno detalhe: não somente Cristo é o Reconciliador, mas também nós somos agentes de reconciliação. Leia 2Co 5.18.
Você pode ajudar as pessoas a restaurarem a comunhão? Como a sua igreja pode ser, toda ela, uma agente de reconciliação em seu bairro ou sua cidade? Como ela pode ajudar o contexto onde está localizada a ser mais justo e mais fraterno?
Gente, igreja não é só para cantar musicas para Jesus!
ACB