5 passos para você entender o que o seu pastor prega

O louvor está a todo vapor. Todo mundo em pé cantando, gritando, soltando glórias e aleluias. Como o louvor liberta as emoções!

Terminado o louvor o povo se assenta. Alguns avisos aqui, um recolhimento de dízimo ali, outras coisinhas pra lá, outras pra cá e pronto – o sermão.

Nessa hora, em geral, o animo se arrefece. A turma do louvor foi beber água, a criançada foi pra salinha. Agora é o pastor e o povo.

A maioria do povo agora se acalma e começa a pensar na vida. É uma conta para pagar na segunda, o dentista da menina, comprar novos uniformes da escola, levar o carro para a revisão, chamar a mãe para pegar a receita de bolo da vovó, ligar para a farmácia, etc.

Enquanto isso pastor vai pregando…

Da minha experiência como pregador e ouvinte, aqui vão algumas dicas para melhorar o seu ouvir:

  1. Abra a Bíblia no texto indicado, não a feche depois da leitura e siga atentamente o desenvolvimento do sermão.
  2. Faça anotações dos pontos principais e dos termos que você não entendeu para depois procurar no Google com mais calma.
  3. Concentre-se no pregador. Desligue do que está acontecendo ao seu redor. Se quiser, feche os olhos para concentrar melhor.
  4. Siga mentalmente o que o pastor está pregando e vai memorizando os pontos principais. Exemplo: No primeiro ponto o pastor disse que Deus é amor, agora que Deus é bondoso.
  5. Tire algumas lições para colocar em prática. O que o sermão pediu de você? Como você pode fazer isso durante a semana?

Se os pastores preparassem melhor seus sermões, certamente que isso ajudaria o crente a entender melhor a palavra de Deus.

Antonio Carlos Barro

Aqueles que abandonam a carreira cristã

2Timóteo 4.9-22

Por que alguém em sã consciência quer ser um ministro da palavra? Estamos falando  daquelas pessoas que abnegadamente abraçam ao ministério, não considerando o custo de tal empreitada. Que mistério é esse que leva um jovem ou uma jovem a deixar uma faculdade, uma carreira promissora no mundo dos negócios para se dedicar exclusivamente ao pastorado, a vida missionária?

O Apóstolo Paulo, no final da sua carreira cristã, após uma intensa e apaixonada vida dedicada a Jesus Cristo, escreve a Timóteo, seu dileto filho na fé, e detalha a ele uma lista de pessoas que estiveram próximas do seu ministério. Nesta lista verificaremos três tipos de obreiros cristãos:

Aqueles que abandonam a carreira cristã

Demas, nome grego, “abandonou e amou o presente mundo”. Não sabemos a razão deste abandono, tendo em vista que Demas era um dos colaboradores mais íntimos de Paulo. Quando Paulo escreveu a carta aos Colossenses (4.14), anos antes desta carta a Timóteo, da mesma cidade de Roma, Demas e Lucas estavam com ele. Agora ele diz: “Demas me abandonou”. Houve alguma discordância entre eles? Ficou ele cansado de estar associado a um homem que atraia muitas perseguições e calunias? Sabemos apenas que ele abandonou a igreja. “Amou o presente mundo”. Isto não significa necessariamente que ele tenha abandonado a fé cristã, mas sim que ao considerar as vantagens de estar servindo a Cristo ao lado de Paulo e as vantagens oferecidas pelo mundo, preferiu ele a segunda. Para Calvino, ele “… preferiu a sua conveniência particular, sua segurança, tendo deixado a Paulo entregue à sua sorte”.

A atitude de Paulo, nesta situação, creio que pode ser expressa numa frase contemporânea: “Tudo bem, vamos em frente”. Esta atitude pode ser vista em duas expressões: “Lucas está comigo”. Alguns abandonam, outros permanecem firmes. A outra fala é esta designada a Marcos: “… é muito útil para o ministério”. O exército de Deus pode sofrer algumas baixas, mas sempre haverá pastores e obreiros que não dobram os seus joelhos aos deuses deste mundo.

Nos dias de hoje, são também muitos os que abandonam o barco. Decepcionaram-se com Cristo, com a igreja, com a liderança, com a denominação, com o salário, com as injustiças cometidas contra ele. O que fazer? Avancemos, pois ainda há muito que realizar em prol do reino de Deus.

Aqueles que atrapalham a carreira cristã

Alexandre “me fez muitos males” – “causou-me muitos males”. Paulo menciona outro Alexandre em 1Tm 1.20, dizendo que esta pessoa naufragou na fé e blasfemou. Este homem promovia as dissensões na igreja e Paulo o entregou a Satanás. Este outro fazia oposição a Paulo e contrariava os seus ensinamentos. Para Paulo, não existia nada mais grave do que ver alguém se opondo à mensagem de Cristo. Ele mesmo poderia suportar todas as coisas contra a sua pessoa, mas não tolerava ataques ao evangelho. A atitude de Paulo nesta situação é corajosa, pois identifica o faltoso chamando-o pelo nome. Vigia e toma cuidado com o que aquela pessoa está disseminando. Finalmente, vemos que ele descansa em Deus, pois ele conhece a todos e retribuirá a cada um segundo as suas obras (lei da semeadura). Paulo evoca o Salmo 62.13 “A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um segundo a sua obra”.

Nos dias de hoje, também são muitos os que atrapalham a obra de Deus. Devemos enfrentar a estes com caridade e realismo. Com caridade: Deus irá julgar as suas obras, não compete a nós fazer isto. Com realidade: A perseguição ao Cristianismo nunca é abstrata, mas sempre personalizada. Infelizmente temos no meio da igreja líderes abusivos. Pessoas que se utilizam amizade e colegas para galgar posições de liderança e que descartam os outros assim que os seus objetivos são alcançados.

Aqueles que realizam a carreira cristã

Neste capítulo, Paulo menciona 18 pessoas. Duas delas causaram grandes males ao evangelho, todavia outras estão firmes. Marcos é útil ao ministério. Trófimo está inclusive doente em Mileto. Crescente, Tíquico e Tito estão viajando em missões.

Atitude e mensagem de Paulo aos que permanecem firmes, aos que enfrentam a ministério com bravura e não consideram suas vidas mais preciosas do que a vida de Jesus Cristo. Ele afirma a mensagem da presença constante de Deus que nos assistirá em todos os momentos, revestindo e fortalecendo para o para o cumprimento da missão. E mais ainda, Deus nos protegerá da boca do leão. Provérbio que era usado para denotar extremo perigo e finalmente Deus nos conduzirá ao seu lar celestial.

Nos dias de hoje, precisamos recobrar este significado e motivação para a nossa carreira cristã, caso contrário, também nos veremos em tentações de desistir da igreja e da sua missão. São tantas as lutas, as noites de insônia, os choros escondidos por causa das perseguições e injustiças. Todavia, antes de nós outros passaram pelos mesmos sofrimentos e não desistiram do ministério.

Ao final da vida, Paulo orienta a Timóteo e a todos os que militam na obra de Deus a que mantenham o foco bem ajustado: Preguem a palavra para que haja salvação e que Deus receba a glória para todo o sempre.

Conclusão

Desde que a igreja foi fundada na terra nós temos basicamente estes três grupos: os que começam e abandonam; os que permanecem e infernizam a vida dos outros e os que permanecem e trabalham pela causa de Cristo.

Resumindo, nós temos os tomadores e os doadores. Alguns querem apenas usufruir daquilo que a igreja oferece e não retribuem em quase nada. Assim, a igreja continua dependendo destes poucos que são comprometidos e que esperam com confiança no Senhor. Quem colocou as mãos no arado não pode mais olhar para trás.

Antonio Carlos Barro
www.ftsa.edu.br

Pobres e desorientados pastores

Os ricos e “orientados” pastores são poucos e formam a elite do pastorado brasileiro. Esses são os caras ganhando acima de 10 mil reais por mês (para uns poucos o céu é o limite – foi me dito que tem pastor ganhando entre 50 a 100 mil/mês). Esses “escolhidos” são aos olhos da crentaida em geral, os ungidos, os que fazem a coisa acontecer. Estamos sempre ouvindo sobre eles. “Pegou a igreja com 134 membros e agora tem 5.000”. “Começou com um grupo em sua casa e agora tem 8.430 membros”.

Mas isso para mim não é o problema maior. A grande questão é a cultura que está sendo formada ao redor dessa situação. Essa elite é uma pequena e ínfima minoria, mas é uma minoria que tem acesso a mídia. Uma minoria que domina os nossos congressos e conferencias. Escreve livros e principalmente uns blogs bonitos. Essa minoria vai criando uma cultura eclesiástica que não reflete o evangelho de Cristo.

Os outros, que são pobres e na maioria desorientados ficam sonhando com o dia em que alguém falará dele a mesma coisa: pegou a igreja com 25 e agora tem 1000. A cada dia que passa ele fica pensando em como fazer melhor, em como tornar a sua igreja a igreja da vez na sua cidade. Fica olhando para os bancos vazios e decretando que um dia eles estarão cheios.

Essa nova cultura faz os pobres e desorientados pastores pensarem somente naquilo: crescimento de igreja. Tentam de tudo um pouco: células, louvor extravagante, auto-ajuda, roupas modernas, berçário em ordem, data show nos cultos, etc. Nada acontece. Nossos pobres e desorientados pastores precisam de outro referencial. Devem-se livrar o quanto antes do referencial da elite. Esses pastores da alta nobreza não atingem quase ninguém da massa brasileira. Tem lá uns 5000 crentes em suas igrejas que não sabem nem o caminho da roça. Vivem em seus bairros, mas freqüentam a sede, a central, a primeira. Passam pela miséria de seus bairros e não olham. São invisíveis aos olhos da comunidade.

Assim sendo, você que tem a sua igrejinha no seu bairro, deixe de besteiras e de sonhar com o impossível e torne a sua comunidade o sal e a luz do seu bairro. Vinte, trinta ou quarenta pessoas compromissadas com o Reino valem mais do que milhares de alienados.

Voltarei a falar do tema.

ACBarro

Pregação e pregadores. Pregação e ouvintes

Faz parte da tradição eclesiástica que num determinado momento do culto ou missa, alguém se dirige a um lugar especial chamado púlpito para proferir uma prédica. Pressupõe-se que o comunicador fez o seu dever de casa, ou seja, gastou algumas horas pesquisando e estudando o tema da pregação.

Munido com seu esboço, o mesmo ao subir naquela plataforma pensa que os ouvintes estão interessados no que ele vai falar. Ledo engano. Poucas pessoas sentadas no banco da igreja estão interessadas na mensagem. A maioria está pensando em outra coisa. Pode ser qualquer coisa:

– Que horas termina isso?

– Amanhã tenho que pagar aquela conta atrasada.

– Tenho que agendar uma consulta para o Zezinho.

– O carro precisa de revisão.

– Está na hora de trocar a geladeira.

Os assuntos pululam na cabeça do crente, enquanto o sermão já vai ai pelo terceiro ponto. À saída é comum ouvir: belo sermão, pastor ou, gostei da mensagem. O pastor fica contente. Esse é um rito de passagem. O crente finge que entendeu tudo e o pastor se alegra com os falsos elogios.

Essa dissintonia entre pregadores e ouvintes é um desafio para a igreja moderna. Como envolver os ouvintes na mensagem? Como tornar a mensagem significativa para o jovem? Como tirar o crente de sua passividade? Como fazer com que o pregador seja mais humano e menos divino quando assumir o púlpito?

Coisas para a gente meditar e conversar. A teologia do púlpito deve(ria) ser a teologia do banco da igreja.

Antonio Carlos Barro

Por amor a Cristo queria ser pastor

Outro dia recebi um e-mail de um seminarista.
Como sofrem esses poucos “condenados” que ainda desejam o pastorado. Já escrevi sobre esse tema várias vezes e confesso que todas as vezes que me deparo com situações envolvendo seminaristas e ordenação pastoral eu fico irritado.
Depois de 28 anos envolvido com educação teológica a coisa somente tem piorado. Tem decrescido o número de jovens que aspiram ao pastorado ou missões. Tem recrudescido a paranóia dos defensores do verdadeiro evangelho e da pureza da sã doutrina impedindo que jovens que estudam em seminários que não sejam da denominação venham a ser ordenados.
O jovem me escreve que diz que a sua denominação não vai mais ordenar que faz outro seminário. Antes já não ordenava quem fazia seminário interdenominacional como a FTSA. Agora a amada igreja não ordena nem quem faz seminário denominacional.
O sujeito (seminarista) tem que ser treinado nos arraiais da sua igreja. Ele tem que aprender a verdadeira doutrina, aprender a orar como os santos de sua igreja, pregar como os grandes oradores do passado, jamais esquecer a gloriosa história da igreja e por ai vai. A única coisa que o cara não aprende é como plantar uma igreja, evangelizar e fazer missões. Mas essas coisas são tão sem importância, não é mesmo?
O orgulho denominacional ainda liquida com as denominações históricas. Será que os cardeais da igreja não percebem que ninguém está querendo acabar com o evangelho de Jesus e muito menos destruir a igreja? Será que eles não poderiam conceber a idéia de que outros cristãos também amam a Jesus e são comprometidos com a causa de Cristo?
Isso me lembra a história que está lá no Novo Testamento. O sujeito vai à igreja orar e vê ao seu lado um miserável de outra denominação também decidiu orar. Que tremenda chateação! Então ele ora:
“Senhor, graças te dou porque não nasci numa igreja pentecostal. Louvo-te imensamente porque sou fiel à verdadeira doutrina, nasci em lar evangélica de mais de quatro gerações. Obrigado Senhor, e, por favor, não permita que a minha amada igreja se corrompa envolvendo-se com esses crentes de terceira categoria. Amem”.
Se você é seminarista e está passando por provações, não se desespere, Deus há de suprir suas necessidades e saiba que Ele, e não os grandes homens da Terra, é o Senhor da História.
Se você é um desses instrumentos que está impedindo esses moços no seguimento do pastorado, prepare-se porque um dia você terá que explicar ao Cordeiro de Deus porque você fez isso. Pensando bem talvez nem tenha que explicar.

ACB

Tornou-se grande, apenas perdeu a alma

Começou pequeno, humilde.
Recém-saído do seminário, seu coração ardia pelas coisas de Deus. Orava sempre e para pregar estudava o texto como havia aprendido. Queria fazer o melhor para Deus.
Seu povo era humilde. Não entendia muito bem o que ele pregava, especialmente as citações de teólogos famosos e os detalhes do original grego e hebraico que ele trazia para aprofundar a mensagem.
Teve sorte. Uma igreja do centro ficou sem pastor e alguém sugeriu o seu nome. Despediu-se da congregação e aceitou o pastorado da igreja central. Sucesso absoluto. Dedicou-se ao máximo. Não tinha tempo para muita coisa, a não as coisas da igreja mesmo. “Muito serviço”, dizia para a esposa já grávida do primeiro filho.
A igreja cresceu. A arrecadação aumentou. Começou a ser convidado para pregar em outras cidades, participar em alguns seminários. Dizia para esposa, gravida do seu segundo filho, que Deus estava lhe abrindo as portas.
Como era de se esperar recebeu o convite para pastorear na cidade grande. Igreja com estrutura, várias secretárias, equipe pastoral. Ele se sentia como o CEO de uma mini empresa. Não tinha tempo para nada. As crianças cresciam e parece que era um azar. Sempre que havia algo na escola delas, estava acontecendo um congresso, ou a igreja estava em uma campanha especial. A esposa cobrava sua presença. Ele respondia que não podia fazer tudo. Era temporário, as coisas iriam se ajeitar.
Já com o nome feito na denominação, era sempre escolhido para as assembleias nacionais. Inclusive foi votado para um dos cargos na diretoria. Seus amigos diziam que em pouco tempo ele estaria na presidência da igreja.
Já não orava mais. Tendo adquirido experiência de púlpito, não estudava mais os textos. Pensava em algo durante o louvor e com maestria o desenvolvia. Poucas pessoas percebiam a superficialidade da pregação. Era inclusive elogiado pela perfeita oratória.
Os filhos já jovens estavam afastados da igreja. Não podiam entender como uma igreja que fala do amor de Deus a todos tirou deles o amor do pai. A esposa, resignada, já não dizia mais nada. Limitava a ficar em casa ou visitar os pais quando podia. O povo perguntava por ela e ele dizia que estava ocupada.
Ganhou o “mundo” inteiro e no processo perdeu a alma.
ACB

Ser pastor é molezinha

Outro dia meu amigo Pr. Eduardo Pellissier disse algo interessante. Alguém comentou com ele que ser pastor era uma moleza, ao que ele respondeu: “Tem vaga, você quer candidatar-se?”
Isso me lembra um fala do Mestre: “A seara é grande, e pouco são os trabalhadores”. Tem pastor e pastor. Ou melhor, tem Pastor e pastor. Tem uns mequetrefes por ai tagarelando coisas bíblicas, misturando alho com bugalho, citando metade de um verso com metade do outro, tem uma fala mansa e fala as sandices que o povo quer ouvir. Esses “pastores” estão bem. Vidona boa. Mas como disse num outro artigo, o povo gosta.
Pastor que estuda, prepara o sermão, lê livros e artigos, freqüenta congressos, faz reciclagem, escreve e reflete. Esse realmente está cada vez mais raro. Para esse tipo de pastorado tem poucos candidatos. O sujeito tem que ralar quatro anos num curso de teologia, depois tem que fazer estágio numa igreja, tem que preparar o sermão e a aulas da Escola Dominical, tem que visitar os doentes, arrumar emprego, aconselhar casais, organizar os departamentos da igreja, fazer o boletim, escrever o artigo e editar as notícias. Tem tanta coisa e ainda vem um esperto e diz que é molezinha.
Você acha mesmo?
Tem vaga.
Entre no site da Faculdade Teológica Sul Americana e venha fazer parte dessa molezinha.

ACB

Pr. Rev. Hevan Gélico

Outro dia o UOL trouxe um nota deveras interessante: as profissões que tornam as pessoas felizes. A primeira profissão na lista é a clerical. Ou seja, os clérigos então em primeiro lugar dentre todos os profissionais.
Fiquei pensando com meus botões o porque disso. Dos pastores que eu conheço, não vejo essa felicidade esfuziante. Escuto mais reclamações da igreja e dos crentes do que a narrativa de bênçãos celestiais.
Quem seriam então esses clérigos cheios de felicidades?
Devem ser aqueles que pregam um evangelho alientante onde não existe espaço para misérias. São aqueles líderes cujas famílias são perfeitas, filhos impecavelmente bem vestidos e que não dão nenhum trabalho escolar. São aqueles líderes onde os problemas passam longe deles. Não duvidam jamais de Deus, oram sem cessar, poupança bancária e vários cartões de crédito. O Pr. Rev. Hevan Gélico está bem fundamentado em sua teologia da prosperidade e prega com uma ousadia fenomenal. Seus crentes vão ser bem sucedidos, vão receber tudo de Deus e devem ser matidos separados dos outros crentes que frequentam igrejas de pastores derrotados.
Os pastores mal sucedidos e infelizes lutam contra a miséria do mundo, pregam sobre a transformação da sociedade, enfatizam que os crentes são o sal da terra e a luz do mundo, incentivam o compartilhar e o compromisso com o Reino. Esses jamais vão aparecer na lista do UOL, mas certamente estão na lista de Deus dentre os pequeninos e humildes, dentre os que não são. Com estes é que caminhamos pelas trilhas desse mundo.

ACB

Ser pastor é coisa de pobre!

Ainda essa semana falava com um colega de ministério em São Paulo. O tópico da nossa conversa foi gerado a partir de uma pergunta que me fez: “Como está o seminário?” Respondi que estamos bem, mas que seria bom se tivéssemos mais alunos, mais gente querendo estudar teologia.
Então, ele fez uma observação que nós já havíamos detectado há algum tempo, qual seja: a vocação ministerial hoje se dá quase que exclusivamente no meio dos pobres. Ele mesmo confirmou isso dizendo que sua igreja valoriza o trabalho missionário, tem programas sociais e preza muito a verdade do evangelho, todavia, faz muito tempo que não surge uma vocação ministerial.
Eu tenho pensado sobre esse tema.
Com o modelo pastoral que temos hoje, com igrejas voltadas para atender ao mercado religioso, qual jovem gostaria de ser pastor? Quem quer seguir essa carreira tão em baixa nos dias atuais? Que pai ou mãe acorda todas as manhãs pensando e orando para seu filho ser pastor? Qual pastor prega, desafia e promove a vocação ministerial? Qual igreja vota uma verba para a educação teológica?
Será a vocação ministerial uma espécie em extinção? Ore para que o Senhor Jesus levante jovens para a vocação ministerial.

Antonio Carlos Barro

Pastores prestam relatórios a Jesus

Um grupo de pastores, não satisfeito apenas em apresentar relatórios em seus concílios denominacionais, procura Jesus para prestar a ele uma lista de atividades desenvolvidas em seus pastorados. Notava-se, pelo entusiasmo e risos dos mesmos, que tinham certeza absoluta de que receberiam por parte do Mestre dos mestres e do Pastor dos pastores as mais altas honrarias e elogios. Anteviam inclusive a possibilidade de tripudiar sobre seus colegas, não tão bem sucedidos, mostrando a eles uma carta de recomendação de Jesus.
Com isso em mente, elaboram seus relatórios em três categorias: profecia, exorcismo e sinais e maravilhas.
Essas categorias valem a pena mencionar, estavam no topo da lista das mais procuradas por todos os pastores. Havia muita disputa e muita propaganda sobre essas atividades. A realização das mesmas produzia frutos e gerava não somente receitas, mas também um grande afluxo de pessoas aos templos. Alguns pastores, mais humildes, não gostavam de falar sobre isso. Outros procuravam esses sinais, mas não conseguiam realizá-los. Alguns até mesmo oravam suplicando essas graças, mas não as recebiam. Certo mesmo é que esses pastores haviam conseguido essas proezas e queriam agora relatá-las a Jesus.
Como qualquer relatório digno de nota, começaram dizendo que tudo havia sido feito para Jesus. Foi por causa de Jesus e foi em nome de Jesus. Toda a glória foi dada ao Senhor, e que ninguém duvidasse disso.
As profecias foram muitas. Profetizaram que pessoas seriam curadas, que empresários ficariam ricos, que o evangelho seria pregado em mais de 150 países do mundo através de seus programas televisivos, que quem doasse R$1.000,00 teria essa quantia multiplicada muitas vezes, que nas cidades (aqui mencionaram as grandes cidades do Brasil) não haveria mais pobreza, prostituição e violência. Profetizaram ainda que os senhores Fulano e Beltrano, que eram os maiorais da igreja, seriam eleitos governadores, senadores e deputados. Profetizaram o fim do movimento gay. A lista era enorme. Notou-se que Jesus se cansava e decidiram então pular para o próximo item: exorcismo.
Essa lista era impressionante. Esses exorcismos, para que não pairasse nenhuma dúvida, estavam todos documentados e gravados. Todos foram realizados à vista do público e televisionados para todo o país. Demônios foram humilhados e tratados como seres miseráveis. Fizeram desses demônios o que queriam (tudo em nome de Jesus). Expulsavam, deixavam os demônios esperando, mandavam os mesmos retornarem ao corpo dos endemoninhados para depois exorcizarem os mesmos para sempre. Faziam isso para mostrar grande autoridade sobre os mesmos. Alguns demônios foram escolhidos para serem entrevistados. Eles eram inquiridos a respeito de suas origens, o que faziam e quais os propósitos em atormentar suas vitimas. Os demônios obedeciam a todas as ordens.
Juntando o primeiro relatório com esse segundo, os pastores perceberam que Jesus estava um pouco enfadado. Começaram a pensar se Jesus tinha outras coisas para fazer e por isso apressaram-se a apresentar a terceira parte das atividades. Se as duas primeiras partes impressionavam, Jesus não havia visto nada ainda. Esse último relato era de maravilhar não somente Jesus, mas a todos os anjos do céu.
Mais uma vez, fizeram questão de mencionar que tudo foi feito em nome de Jesus. Destacavam essa motivação porque alguns outros pastores, certamente fracassados e frustrados por não terem tais poderes, os criticavam dizendo que aquilo tudo era um show. Por isso, queriam deixar bem claro que tudo era para Jesus.
E de fato, fizeram muitos sinais e maravilhas. Surdos ouviram, cegos passaram a enxergar, pernas encurtadas foram restauradas, cânceres foram extirpados. Coisas mais simples nem relataram, tais como dores de cabeça, unha encravada, dores na coluna, etc. Percebendo certo sorriso nos lábios de Jesus, passaram a relatar então aquilo que de fato o impressionaria, pois certamente essas coisas já mencionadas Jesus havia curado no seu tempo, mas curar alguém de AIDS, restaurar a heterossexualidade e emagrecer obesos, isso Jesus não tinha feito. Mas a lista não se limitava ao físico apenas. Impressionava mesmo era o número de pessoas que haviam doado suas posses para a igreja e que agora estavam milionárias. Algumas dessas pessoas estavam à beira da falência e quando entregaram suas casas e carros, receberam muitas vezes mais, inclusive carros importados. Havia ainda um item nessa parte do relatório que eles relutaram um pouco, mas vendo que Jesus estava se preparando para dar os vivas e os améns, entusiasmaram e disseram: “Jesus, quando o Senhor andou pela Terra, lembra-se que andava a pé pelas estradas empoeiradas da Palestina? Que não tinha nem uma casinha para passar o final de semana?” Vendo que Jesus balançava a cabeça concordando, arremataram mencionando que eles, em nome de Jesus, não somente viajavam de avião, mas que por causa do caos dos aeroportos brasileiros, compraram seus próprios jatinhos. Para que Jesus não pensasse nada errado, explicaram que eram jatos na bagatela dos seus dez a vinte milhões de reais e que isso comparado com os grandes empresários não era muita coisa. Quanto a morar bem, justificaram que precisavam dar o exemplo de que quem crer também precisa tomar posse, por isso, as mansões eram sinais visíveis das bênçãos divinas.
Nesse momento, o momento da apoteose, Jesus se levanta, dá uma espreguiçada e diz a eles uma breve sentença: “Vão para o inferno”.
Assustados e perplexos, um olha para o outro como que perguntando se haviam entendido bem. Será que ele disse que devemos ir para o inferno? Foi isso que escutamos? A comoção era geral, pois quando o relatório foi dado no concílio houve aplausos, votos de louvor, registro especial em atas. Alguns dos pastores haviam inclusive recebido diplomas e placas. Outros foram até mesmo elevados a bispos e alguns a apóstolos. Como agora essas palavras: “Vão para o inferno”.
Certamente que Jesus devia a eles uma explicação. Algo estava errado. Formou-se entre eles um comitê para levar Jesus a um lugar mais calmo, longe dos outros pastores para dar detalhes e o porquê ele não estava contente com tamanha atividade em seu nome.
Jesus não explica muito. Diz que apenas três coisas. A primeira é que ele não os conhecia. Mesmo tendo muita notoriedade por causa de suas mega igrejas, grandiosos programas no rádio e na televisão, das impressionantes casas e jatos que possuíam, das autoridades que os receberam em seus gabinetes, das parceiras com os poderosos na Terra, mesmo e apesar de todas essas coisas, Jesus afirmou mais uma vez que não sabia nada a respeito deles. Suas atividades não foram registradas nos livros divinos. Tudo o que fizeram passou em brancas nuvens. Nada. Nem uma linha para a posteridade.
Assombrados com essa revelação ouvem de Jesus uma segunda coisa. Que Jesus iria para um lado e que eles iriam outro lado. Ao dizer isso Jesus aponta para um grande clarão ao longe. Chocados, eles percebem que aquele é lado do inferno. Pensam que alguma coisa está mesmo muito errada, pois eles haviam acabado com os demônios daquele lugar, eles haviam saqueado o inferno, haviam amarrado o diabo e seus asseclas. Jesus vendo a perplexidade em seus olhos estica os braços e, aponta para a mesma direção.
Mas eles insistem o porquê de tão inusitado veredito. Pacientemente, antes que prossigam na jornada, Jesus lhes informa a razão: vocês praticaram iniqüidades. Nesse momento eles não se contem. Como assim! Como praticamos iniqüidades se vimos o povo recebendo as profecias, livres dos demônios e felizes dando testemunhos de tantos milagres que realizamos?
Jesus lhes pergunta: “vocês não estudaram grego no seminário?” Grego? O que isso tem a ver com nossas atividades? Jesus então lhe diz que no grego a palavra anomós que foi traduzida por iniqüidade significa sem lei. “Vocês viveram sem lei, isso é: foram injustos em tudo o que fizeram. Não se preocuparam com o Juiz que fez leis e que tinha sua vontade a ser seguida. Viveram por suas próprias leis e vontades”.
O que eles haviam feito foi desviar foi enganar seus seguidores do verdadeiro Jesus e haviam usado o seu nome para confundir essas pessoas, muitas crédulas, e roubar delas o privilégio de ter tido um relacionamento digno com ele. Eles haviam induzido essas pessoas a fazer de Jesus um simples almoxarife celestial. Jesus lhes explica que não foi para isso que ele veio ao mundo. Jesus ainda lhes ensina que eles fizeram da igreja um grande negócio financeiro para proveito próprio. Que não se preocuparam em fazer missão e não pregaram o evangelho da redenção como ele havia pedido em seus mandamentos finais aos seus discípulos. Assim sendo, resume Jesus, vocês não entenderam nada, não me receberam, usaram meu nome falsamente, enganaram as pessoas e viveram como mercenários.
Esse foi apenas um grupo de pastores apresentando relatórios a Jesus. Há muitos outros na fila esperando para comparecer diante dele. Não há como escapar desse encontro.

Antonio Carlos Barro