10 coisas que pastores não gostam sobre o pastorado

Autor Thom S. Rainer lista 10 coisas que atormentam a vida de qualquer pastor. Naturalmente, ele está escrevendo desde o seu contexto norte-americano. Aqui no Brasil, quais seriam as coisas que os pastores não gostam a respeito do pastorado?

Veja a lista original do americano. Entre no site e escreva a sua opinião.

10. Tratar com as finanças da igreja (nem todos, é verdade)
9. Casamento
8. Fazer os avisos durante o culto
7. Críticos persistentes
6. Críticas anônimas
5. Aconselhamento pastoral
4. Quando tratam a esposa como sendo funcionária da igreja
3. Amigos que não apoiam o pastor publicamente
2. Funerais de não crentes
1. Reuniões de diretoria/conselho.

Quantas coisas!

Eu acrescento:

1. Reunião de oração interminável
2. Ligação de crente para falar nada com nada na hora do jogo do São Paulo
3. Crente me esperando na porta da igreja antes do culto pra contar algum problema que eu não posso fazer nada naquela hora
3. Aguentar as “pregações” durante o louvor
5. Tratar meus filhos com desigualdade por serem filhos do pastor.

Antonio Carlos Barro
www.ftsa.edu.br

Aqueles que abandonam a carreira cristã

2Timóteo 4.9-22

Por que alguém em sã consciência quer ser um ministro da palavra? Estamos falando  daquelas pessoas que abnegadamente abraçam ao ministério, não considerando o custo de tal empreitada. Que mistério é esse que leva um jovem ou uma jovem a deixar uma faculdade, uma carreira promissora no mundo dos negócios para se dedicar exclusivamente ao pastorado, a vida missionária?

O Apóstolo Paulo, no final da sua carreira cristã, após uma intensa e apaixonada vida dedicada a Jesus Cristo, escreve a Timóteo, seu dileto filho na fé, e detalha a ele uma lista de pessoas que estiveram próximas do seu ministério. Nesta lista verificaremos três tipos de obreiros cristãos:

Aqueles que abandonam a carreira cristã

Demas, nome grego, “abandonou e amou o presente mundo”. Não sabemos a razão deste abandono, tendo em vista que Demas era um dos colaboradores mais íntimos de Paulo. Quando Paulo escreveu a carta aos Colossenses (4.14), anos antes desta carta a Timóteo, da mesma cidade de Roma, Demas e Lucas estavam com ele. Agora ele diz: “Demas me abandonou”. Houve alguma discordância entre eles? Ficou ele cansado de estar associado a um homem que atraia muitas perseguições e calunias? Sabemos apenas que ele abandonou a igreja. “Amou o presente mundo”. Isto não significa necessariamente que ele tenha abandonado a fé cristã, mas sim que ao considerar as vantagens de estar servindo a Cristo ao lado de Paulo e as vantagens oferecidas pelo mundo, preferiu ele a segunda. Para Calvino, ele “… preferiu a sua conveniência particular, sua segurança, tendo deixado a Paulo entregue à sua sorte”.

A atitude de Paulo, nesta situação, creio que pode ser expressa numa frase contemporânea: “Tudo bem, vamos em frente”. Esta atitude pode ser vista em duas expressões: “Lucas está comigo”. Alguns abandonam, outros permanecem firmes. A outra fala é esta designada a Marcos: “… é muito útil para o ministério”. O exército de Deus pode sofrer algumas baixas, mas sempre haverá pastores e obreiros que não dobram os seus joelhos aos deuses deste mundo.

Nos dias de hoje, são também muitos os que abandonam o barco. Decepcionaram-se com Cristo, com a igreja, com a liderança, com a denominação, com o salário, com as injustiças cometidas contra ele. O que fazer? Avancemos, pois ainda há muito que realizar em prol do reino de Deus.

Aqueles que atrapalham a carreira cristã

Alexandre “me fez muitos males” – “causou-me muitos males”. Paulo menciona outro Alexandre em 1Tm 1.20, dizendo que esta pessoa naufragou na fé e blasfemou. Este homem promovia as dissensões na igreja e Paulo o entregou a Satanás. Este outro fazia oposição a Paulo e contrariava os seus ensinamentos. Para Paulo, não existia nada mais grave do que ver alguém se opondo à mensagem de Cristo. Ele mesmo poderia suportar todas as coisas contra a sua pessoa, mas não tolerava ataques ao evangelho. A atitude de Paulo nesta situação é corajosa, pois identifica o faltoso chamando-o pelo nome. Vigia e toma cuidado com o que aquela pessoa está disseminando. Finalmente, vemos que ele descansa em Deus, pois ele conhece a todos e retribuirá a cada um segundo as suas obras (lei da semeadura). Paulo evoca o Salmo 62.13 “A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um segundo a sua obra”.

Nos dias de hoje, também são muitos os que atrapalham a obra de Deus. Devemos enfrentar a estes com caridade e realismo. Com caridade: Deus irá julgar as suas obras, não compete a nós fazer isto. Com realidade: A perseguição ao Cristianismo nunca é abstrata, mas sempre personalizada. Infelizmente temos no meio da igreja líderes abusivos. Pessoas que se utilizam amizade e colegas para galgar posições de liderança e que descartam os outros assim que os seus objetivos são alcançados.

Aqueles que realizam a carreira cristã

Neste capítulo, Paulo menciona 18 pessoas. Duas delas causaram grandes males ao evangelho, todavia outras estão firmes. Marcos é útil ao ministério. Trófimo está inclusive doente em Mileto. Crescente, Tíquico e Tito estão viajando em missões.

Atitude e mensagem de Paulo aos que permanecem firmes, aos que enfrentam a ministério com bravura e não consideram suas vidas mais preciosas do que a vida de Jesus Cristo. Ele afirma a mensagem da presença constante de Deus que nos assistirá em todos os momentos, revestindo e fortalecendo para o para o cumprimento da missão. E mais ainda, Deus nos protegerá da boca do leão. Provérbio que era usado para denotar extremo perigo e finalmente Deus nos conduzirá ao seu lar celestial.

Nos dias de hoje, precisamos recobrar este significado e motivação para a nossa carreira cristã, caso contrário, também nos veremos em tentações de desistir da igreja e da sua missão. São tantas as lutas, as noites de insônia, os choros escondidos por causa das perseguições e injustiças. Todavia, antes de nós outros passaram pelos mesmos sofrimentos e não desistiram do ministério.

Ao final da vida, Paulo orienta a Timóteo e a todos os que militam na obra de Deus a que mantenham o foco bem ajustado: Preguem a palavra para que haja salvação e que Deus receba a glória para todo o sempre.

Conclusão

Desde que a igreja foi fundada na terra nós temos basicamente estes três grupos: os que começam e abandonam; os que permanecem e infernizam a vida dos outros e os que permanecem e trabalham pela causa de Cristo.

Resumindo, nós temos os tomadores e os doadores. Alguns querem apenas usufruir daquilo que a igreja oferece e não retribuem em quase nada. Assim, a igreja continua dependendo destes poucos que são comprometidos e que esperam com confiança no Senhor. Quem colocou as mãos no arado não pode mais olhar para trás.

Antonio Carlos Barro
www.ftsa.edu.br

A igreja precisa achar o mundo

Uma coisa muito, mas muito difícil de ser entendida e digerida pelos líderes mais velhos de nossas igrejas é a mudança de paradigma de crescimento de igreja para crescimento do reino.

Muitos desses velhos e bons pastores tocam seus ministérios debaixo do conceito da manutenção do rebanho, orando para que haja umas três conversões ao ano. Um sermão razoavelmente preparado, visitas domiciliares, alguns aconselhamentos no gabinete pastoral, ajudar na solução de algumas crises como divórcios e problemas entre pais e filhos. Nisso se resume o pastorado.

Esses colegas não pensam a igreja fora das quatro paredes. Os programas são internos e voltados para o publico da própria igreja. Vez por outra alguma coisinha onde os “fora” são convidados. Um culto especial de aniversario, uma apresentação do coral no final de ano. Mas nada que de fato impacte o não-membro da paróquia.

Assim os dias transcorrem. Normais.

Se o colega que me lê (assim espero) fizesse algo mais intencional acho que ajudaria. Pense em duas realidades: a realidade da sua igreja, com seus membros, talentos, recursos e potenciais. A realidade de seu bairro ou cidade com suas necessidades. Faça uma perguntinha: Como a minha igreja pode ser mais efetiva no sentido de preencher essas necessidades?

Só isso. O que você precisa agora? Conduzir sua comunidade a entender que ela é a comunidade do Rei e do reino. Ensine sua igreja a ser o povo de Deus para sua cidade/bairro. Não faça isso somente pensando em crescer sua igreja. Faça isso para revelar a bondade de Deus ao mundo. Ao fazer isso, o mundo mudará de opinião a respeito da igreja e do próprio Deus.

É possível? Tente pelo menos uma vez fazer isso.

Antonio Carlos Barro

Pobres e desorientados pastores

Os ricos e “orientados” pastores são poucos e formam a elite do pastorado brasileiro. Esses são os caras ganhando acima de 10 mil reais por mês (para uns poucos o céu é o limite – foi me dito que tem pastor ganhando entre 50 a 100 mil/mês). Esses “escolhidos” são aos olhos da crentaida em geral, os ungidos, os que fazem a coisa acontecer. Estamos sempre ouvindo sobre eles. “Pegou a igreja com 134 membros e agora tem 5.000”. “Começou com um grupo em sua casa e agora tem 8.430 membros”.

Mas isso para mim não é o problema maior. A grande questão é a cultura que está sendo formada ao redor dessa situação. Essa elite é uma pequena e ínfima minoria, mas é uma minoria que tem acesso a mídia. Uma minoria que domina os nossos congressos e conferencias. Escreve livros e principalmente uns blogs bonitos. Essa minoria vai criando uma cultura eclesiástica que não reflete o evangelho de Cristo.

Os outros, que são pobres e na maioria desorientados ficam sonhando com o dia em que alguém falará dele a mesma coisa: pegou a igreja com 25 e agora tem 1000. A cada dia que passa ele fica pensando em como fazer melhor, em como tornar a sua igreja a igreja da vez na sua cidade. Fica olhando para os bancos vazios e decretando que um dia eles estarão cheios.

Essa nova cultura faz os pobres e desorientados pastores pensarem somente naquilo: crescimento de igreja. Tentam de tudo um pouco: células, louvor extravagante, auto-ajuda, roupas modernas, berçário em ordem, data show nos cultos, etc. Nada acontece. Nossos pobres e desorientados pastores precisam de outro referencial. Devem-se livrar o quanto antes do referencial da elite. Esses pastores da alta nobreza não atingem quase ninguém da massa brasileira. Tem lá uns 5000 crentes em suas igrejas que não sabem nem o caminho da roça. Vivem em seus bairros, mas freqüentam a sede, a central, a primeira. Passam pela miséria de seus bairros e não olham. São invisíveis aos olhos da comunidade.

Assim sendo, você que tem a sua igrejinha no seu bairro, deixe de besteiras e de sonhar com o impossível e torne a sua comunidade o sal e a luz do seu bairro. Vinte, trinta ou quarenta pessoas compromissadas com o Reino valem mais do que milhares de alienados.

Voltarei a falar do tema.

ACBarro

Por amor a Cristo queria ser pastor

Outro dia recebi um e-mail de um seminarista.
Como sofrem esses poucos “condenados” que ainda desejam o pastorado. Já escrevi sobre esse tema várias vezes e confesso que todas as vezes que me deparo com situações envolvendo seminaristas e ordenação pastoral eu fico irritado.
Depois de 28 anos envolvido com educação teológica a coisa somente tem piorado. Tem decrescido o número de jovens que aspiram ao pastorado ou missões. Tem recrudescido a paranóia dos defensores do verdadeiro evangelho e da pureza da sã doutrina impedindo que jovens que estudam em seminários que não sejam da denominação venham a ser ordenados.
O jovem me escreve que diz que a sua denominação não vai mais ordenar que faz outro seminário. Antes já não ordenava quem fazia seminário interdenominacional como a FTSA. Agora a amada igreja não ordena nem quem faz seminário denominacional.
O sujeito (seminarista) tem que ser treinado nos arraiais da sua igreja. Ele tem que aprender a verdadeira doutrina, aprender a orar como os santos de sua igreja, pregar como os grandes oradores do passado, jamais esquecer a gloriosa história da igreja e por ai vai. A única coisa que o cara não aprende é como plantar uma igreja, evangelizar e fazer missões. Mas essas coisas são tão sem importância, não é mesmo?
O orgulho denominacional ainda liquida com as denominações históricas. Será que os cardeais da igreja não percebem que ninguém está querendo acabar com o evangelho de Jesus e muito menos destruir a igreja? Será que eles não poderiam conceber a idéia de que outros cristãos também amam a Jesus e são comprometidos com a causa de Cristo?
Isso me lembra a história que está lá no Novo Testamento. O sujeito vai à igreja orar e vê ao seu lado um miserável de outra denominação também decidiu orar. Que tremenda chateação! Então ele ora:
“Senhor, graças te dou porque não nasci numa igreja pentecostal. Louvo-te imensamente porque sou fiel à verdadeira doutrina, nasci em lar evangélica de mais de quatro gerações. Obrigado Senhor, e, por favor, não permita que a minha amada igreja se corrompa envolvendo-se com esses crentes de terceira categoria. Amem”.
Se você é seminarista e está passando por provações, não se desespere, Deus há de suprir suas necessidades e saiba que Ele, e não os grandes homens da Terra, é o Senhor da História.
Se você é um desses instrumentos que está impedindo esses moços no seguimento do pastorado, prepare-se porque um dia você terá que explicar ao Cordeiro de Deus porque você fez isso. Pensando bem talvez nem tenha que explicar.

ACB

Ser pastor é molezinha

Outro dia meu amigo Pr. Eduardo Pellissier disse algo interessante. Alguém comentou com ele que ser pastor era uma moleza, ao que ele respondeu: “Tem vaga, você quer candidatar-se?”
Isso me lembra um fala do Mestre: “A seara é grande, e pouco são os trabalhadores”. Tem pastor e pastor. Ou melhor, tem Pastor e pastor. Tem uns mequetrefes por ai tagarelando coisas bíblicas, misturando alho com bugalho, citando metade de um verso com metade do outro, tem uma fala mansa e fala as sandices que o povo quer ouvir. Esses “pastores” estão bem. Vidona boa. Mas como disse num outro artigo, o povo gosta.
Pastor que estuda, prepara o sermão, lê livros e artigos, freqüenta congressos, faz reciclagem, escreve e reflete. Esse realmente está cada vez mais raro. Para esse tipo de pastorado tem poucos candidatos. O sujeito tem que ralar quatro anos num curso de teologia, depois tem que fazer estágio numa igreja, tem que preparar o sermão e a aulas da Escola Dominical, tem que visitar os doentes, arrumar emprego, aconselhar casais, organizar os departamentos da igreja, fazer o boletim, escrever o artigo e editar as notícias. Tem tanta coisa e ainda vem um esperto e diz que é molezinha.
Você acha mesmo?
Tem vaga.
Entre no site da Faculdade Teológica Sul Americana e venha fazer parte dessa molezinha.

ACB

Pr. Rev. Hevan Gélico

Outro dia o UOL trouxe um nota deveras interessante: as profissões que tornam as pessoas felizes. A primeira profissão na lista é a clerical. Ou seja, os clérigos então em primeiro lugar dentre todos os profissionais.
Fiquei pensando com meus botões o porque disso. Dos pastores que eu conheço, não vejo essa felicidade esfuziante. Escuto mais reclamações da igreja e dos crentes do que a narrativa de bênçãos celestiais.
Quem seriam então esses clérigos cheios de felicidades?
Devem ser aqueles que pregam um evangelho alientante onde não existe espaço para misérias. São aqueles líderes cujas famílias são perfeitas, filhos impecavelmente bem vestidos e que não dão nenhum trabalho escolar. São aqueles líderes onde os problemas passam longe deles. Não duvidam jamais de Deus, oram sem cessar, poupança bancária e vários cartões de crédito. O Pr. Rev. Hevan Gélico está bem fundamentado em sua teologia da prosperidade e prega com uma ousadia fenomenal. Seus crentes vão ser bem sucedidos, vão receber tudo de Deus e devem ser matidos separados dos outros crentes que frequentam igrejas de pastores derrotados.
Os pastores mal sucedidos e infelizes lutam contra a miséria do mundo, pregam sobre a transformação da sociedade, enfatizam que os crentes são o sal da terra e a luz do mundo, incentivam o compartilhar e o compromisso com o Reino. Esses jamais vão aparecer na lista do UOL, mas certamente estão na lista de Deus dentre os pequeninos e humildes, dentre os que não são. Com estes é que caminhamos pelas trilhas desse mundo.

ACB

Ficar ou sair?

É sábado. É cedo.
Quase pronto para tomar o café matinal, toca o telefone. Minha mulher indaga sobre quem pode ser a estas horas.
É um colega de ministério ou será que deveria dizer colega de mistério?
Liga para pedir um conselho. A diretoria da igreja está dividida. Exatamente a metade quer que ele saia no final do ano, a outra metade quer que ele fique. A metade contraria diz que pode até mesmo fazer um plebiscito com a igreja, mas não vai adiantar nada, porque ela fará oposição severa.
Meu amigo ligou mesmo para desabafar, porque ele já tem a solução: melhor sair e sair com dignidade.